Contato

A decisão de Kakay

 


História de Moisés Mendes
Advogados criminalistas tropeçam em todo tipo de cadáver, os reais, os imaginários, os simbólicos e até os invisíveis para os comuns, mas não para um Antônio Carlos de Almeida Castro. Kakay sabe que os esqueletos do Caso Master estão distribuídos pelos armários de Brasília e que os guardados por Ciro Nogueira já desabam pelas frestas de portas entreabertas.
Mas lidar com os restos mortais de todo tipo de crime não é do jogo do operador do Direito? É, mas não para todos. Para alguém que não seja um Kakay, qualquer jogo pode ser jogado. Para um jurista que tem, como combatente antifascista, a mesma dimensão conquistada como advogado, não há como não diferenciar e catalogar os cadáveres que o desafiam.
O debate sobre esses dilemas já era bom, antes mesmo da decisão de Kakay de abandonar a causa de Ciro Nogueira com o Banco Master. Mesmo com os riscos desse tipo de conversa, que geralmente puxa para as rodas fechadas e de lugar de fala apenas o pessoal que domina as hermenêuticas.
É quando se apresenta um dos truques requisitados para tornar a conversa rasa. É o truque que repete o que qualquer estagiário de advogado de miliciano sabe: que todos têm direito a um advogado. Mesmo os milicianos comprovadamente milicianos.
Repetem que Ciro Nogueira só poderá se defender na Justiça se tiver um advogado. É o que o estagiário aprende sobre a configuração do que é Direito, se estudar o que começa, meio torto, lá em Roma.
Hoje um ladrão de laranjas, um homicida, um político chefe de facção ou um banqueiro mafioso devem dispor de advogado pago ou custeado pelo Estado. Não há controvérsia. O sujeito que ajudasse a atear fogo em Roma e a saquear o que restou, hoje teria direito a advogado.
Sendo assim, Kakay estaria isento de qualquer abordagem crítica? Não é tão simples. Ciro Nogueira precisava de Kakay nessa causa? Ou dito de outra forma: Kakay precisava ser o advogado de Nogueira também nesse caso? Não é uma pergunta qualquer.
Seria se Kakay não fosse o que é. Seria se o então advogado do presidente do PP fosse um profissional sem conexões com a defesa da democracia e a luta antifascista, anticorrupção e antigolpe. Seria se Kakay não fosse, por retórica e ação, um ativista antimáfias que se apoderam do setor público.
Seria razoável e inquestionável, se Kakay não estivesse quase todos os dias, em todas as mídias, falando do combate às quadrilhas que se organizam para saquear o Estado. Ciro Nogueira é parte desse mundo que Kakay combate com bravura.
Kakay está na arena em que se sente à vontade. E deve ter pesado a exposição à crítica que ele mesmo pratica. Porque advogado também faz cálculos políticos simples ou complexos, principalmente se o cliente se chama Ciro Nogueira.
Kakay havia ficado na situação em que, na próxima entrevista sobre organizações criminosas, poderia se deparar com a seguinte pergunta: seu cliente terá, da sua voz, uma abordagem diferente da dedicada a outros acusados de vínculos com um mafioso, pelo fato de que é seu cliente?
Kakay poderia ser um analista isento das relações das máfias de Vorcaro com políticos poderosos de Brasília, se Ciro Nogueira, um desses poderosos, recebia mesada de Vorcaro? Ou ele acreditaria que não recebia?
Kakay perderia peso como comentarista dos desvios de Brasília. Não perderia força como operador do Direito nas instâncias formais da sua atuação, mas sim na esfera pública do debate sobre o que é certo e errado no exercício dessa vida pública.
Kakay sabe, no fundamental, o que é certo e também sabe o que é errado. E sabe que Ciro Nogueira irá cair sobre muita gente até agora poderosa. Sem moralismos oportunistas, não há subjetividade nesse tipo de questão. A versão de que o senador foi quem caiu fora é uma versão e não muda nada.
Kakay poderia sair do caso Ciro Nogueira, se decidisse continuar, como um advogado mais poderoso do que é. Mas também sairia como observador do ambiente de Brasília e ativista antifascista menor do que é até o momento. Não há como jogar esse jogo dos dois lados sem sofrer danos, até porque um Ciro Nogueira não é um Ibaneis Rocha.

Ah, dizem alguns, mas Kakay já defendeu Lula. Mas aí não dá. Quando uma discussão chega ao ponto de criar equivalências entre Ciro Nogueira e Lula, até os esqueletos podem pedir: parem o debate.

Pesquisa Quaest revela impacto das “investigações do Caso Master envolvendo Ciro Nogueira” na campanha de Flávio Bolsonaro

 

Pesquisa Quaest, encomendada pelo banco Genial, que será divulgada na próxima quarta-feira (13), vai medir pela primeira vez o impacto da ação desencadeada pela Polícia Federal (PF) no caso Master que teve como alvo o ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro (PL), Ciro Nogueira (PP-PI), um dos articuladores políticos da campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) junto ao Centrão.
Classificado por André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), como “destinatário central das vantagens indevidas e como agente público que, em tese, instrumentalizou o exercício do mandato parlamentar em favor dos interesses privados de Daniel Bueno Vorcaro”, Ciro Nogueira colocou a bomba Master no colo de Flávio Bolsonaro.
Na pesquisa, que está em campo desde a última sexta-feira (😎 e será encerrada nesta segunda-feira (11), o instituto Quaest colocou três perguntas que tratam do tema:
Você já sabia sobre as investigações do Caso Master envolvendo Ciro Nogueira ou ficou sabendo agora? (Antes da pergunta, o entrevistador lembra a operação da PF de busca e apreensão mirando Ciro Nogueira, “por supostamente ter recebido uma mensalidade de R$ 500 mil do dono do Banco Master para ajudar o banqueiro com projetos no Senado”)
Você acredita que as investigações do Caso Master vão chegar a todas as autoridades envolvidas no escândalo ou não?
Pelo que você ouviu ou ficou sabendo quem tem a imagem mais afetada negativamente pelo escândalo do Master? (e seguem várias alternativas: Congresso; STF/Judiciário; Governo Lula; Banco Central; Governo anterior de Bolsonaro; todos eles.)
Esta também será a primeira pesquisa Quaest após a já considerada bem-sucedida reunião de Lula com Donald Trump nos Estados Unidos.
Como foi a última pesquisa Quaest
Na última rodada da pesquisa Quaest, divulgada em 15 de abril, Lula aparece com 37% das intenções de voto no primeiro turno. Flávio Bolsonaro vem em segundo lugar com 32%, seguido por Ronaldo Caiado (PSD) com 6%, e Romeu Zema (Novo) com 3%. Outros pré-candidatos, como Augusto Cury (Avante) e Aldo Rebelo (DC), registraram 2% cada, com a pesquisa revelando que 5% dos eleitores se declararam indecisos e 11% afirmaram que votariam branco, nulo ou não votariam.

No cenário do segundo turno, a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro é mais apertada, com Flávio alcançando 42% das intenções de voto e Lula ficando com 40% — uma situação de empate técnico.

Fortalea deixa ranking das 10 mais violentas capitais

 

Queda da violência esvazia principal discurso da oposição no Ceará
Fortaleza deixou o ranking das dez capitais mais violentas do Brasil no primeiro trimestre de 2026. A mudança é expressiva: a Capital cearense caiu da 4ª posição em 2025 para a 15ª colocação neste ano, segundo dados apresentados pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), com base em estatísticas do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).
A taxa de Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI) por 100 mil habitantes despencou de 28,86 para 3,38 no comparativo entre os primeiros trimestres de 2025 e 2026.
Mais do que um dado estatístico, o movimento produz impacto político direto. Os números, que são públicos, foram divulgados inicialmente por O Povo.
O Focus Poder já vinha tratando a respeito ao abordar o papel do Estado na questão. Veja aqui
Nos últimos anos, a oposição mais à direita no Ceará — especialmente setores ligados às corporações militares — concentrou grande parte de sua narrativa eleitoral na percepção de insegurança pública. O tema virou praticamente um eixo exclusivo de discurso político.
Agora, os números alteram esse ambiente.
O dado político por trás da estatística
A melhora consistente nos indicadores esvazia parte da crítica que vinha sendo direcionada ao governo estadual. Lideranças oposicionistas, como o deputado federal Capitão Wagner e aliados oriundos das forças de segurança, construíram sua comunicação pública majoritariamente sobre o tema da violência urbana.
Com Fortaleza deixando o grupo das dez capitais mais violentas e o Ceará registrando o abril menos letal desde 2009, o debate político tende a sofrer uma inflexão.
Se os números permanecerem em queda até o período eleitoral, a tendência é que a oposição precise deslocar o foco de ataque para outras áreas da gestão pública — economia, saúde, infraestrutura, mobilidade ou geração de empregos. Tudo mais complexo.
Isso produz um efeito relevante sobre o ambiente político: reduz a centralidade do medo como motor do debate eleitoral e abre espaço para discussões mais amplas sobre desenvolvimento e modelo de gestão.
Ceará registra menor abril da série histórica
O Ceará contabilizou 113 homicídios em abril de 2026 — o menor número para o mês desde o início da série histórica monitorada pela SSPDS.
No mesmo período de 2025, haviam sido registrados 202 casos. A redução foi de 44,1%.
Fortaleza também apresentou queda significativa: foram 17 homicídios em abril deste ano, contra 58 no mesmo mês do ano passado.
Ranking das capitais mais violentas — 1º trimestre de 2025
Posição Capital Taxa CVLI*
1º Maceió 36,10
2º Recife 35,52
3º Porto Velho 29,52
4º Fortaleza 28,86
5º Salvador 27,68
6º João Pessoa 26,22
7º Teresina 23,26
8º São Luís 21,97
9º Rio Branco 21,40
10º Boa Vista 20,84
Ranking das capitais mais violentas — 1º trimestre de 2026
Posição Capital Taxa CVLI*
1º Maceió 8,25
2º Recife 7,56
3º Salvador 6,07
4º Porto Velho 6,02
5º João Pessoa 5,63
6º Rio de Janeiro 5,29
7º São Luís 5,24
8º Macapá 5,13
9º Boa Vista 4,68
10º Natal 4,58
11º Palmas 4,33
12º Teresina 4,10
13º Rio Branco 3,87
14º Manaus 3,73
15º Fortaleza 3,38
*Taxa por 100 mil habitantes.
Focus Poder | Análise
A segurança pública continuará sendo um tema estrutural da política cearense. Nenhum governo consegue retirar completamente o assunto do centro do debate. Mas os números recentes indicam uma mudança relevante no ambiente político do Estado: a pauta da violência perde capacidade de monopolizar a narrativa eleitoral.
Durante os últimos anos, sobretudo após o avanço das facções e das crises de segurança urbana no País, consolidou-se no Ceará uma oposição fortemente ancorada no discurso do combate ao crime. A retórica da ordem pública tornou-se quase um eixo único de mobilização política de setores mais à direita, especialmente ligados às corporações militares.
Quando Fortaleza deixa o grupo das dez capitais mais violentas do Brasil e o Ceará registra o menor abril da série histórica, esse discurso perde potência emocional e capacidade de centralidade no debate público.
Isso não significa que a segurança deixará de importar. Significa que ela tende a deixar de ser suficiente, sozinha, para organizar a disputa política.
Se os indicadores permanecerem em trajetória de melhora até outubro, o debate eleitoral tende a migrar para temas mais amplos e estruturantes: crescimento econômico, atração de investimentos, geração de empregos, transição energética, infraestrutura, educação, desigualdade regional e competitividade do Ceará no cenário nacional.
É nesse ponto que o ambiente político muda de patamar.
Sociedades muito pressionadas pela violência costumam discutir sobrevivência. Sociedades que conseguem reduzir minimamente a sensação de colapso passam a discutir desenvolvimento.
E o Ceará começa a entrar justamente nessa transição de agenda.
A oposição provavelmente precisará recalibrar seu discurso. O foco exclusivo na insegurança tende a perder eficiência eleitoral diante de indicadores mais favoráveis. Isso força a construção de um debate mais sofisticado sobre modelo econômico, capacidade de gestão, produtividade, urbanização e futuro do Estado.
No fim, a melhora dos números da violência produz um efeito político silencioso, mas profundo: desloca o centro da discussão do medo para o projeto de desenvolvimento.
Fontes - Governo do Ceará e focus.poder

Prefeitos do Piauí evitam defender Ciro Nogueira após operação da PF

 

Prefeitos aliados do senador Ciro Nogueira no Piauí, seu principal reduto eleitoral, têm evitado se manifestar nas redes sociais sobre a operação da Polícia Federal que investiga o ex-ministro da Casa Civil.
A PF realizou buscas e apreensões em locais relacionados a Ciro no estado e em Brasília como parte da operação "Compliance Zero", iniciada na quinta-feira (7/5). O presidente do PP é suspeito de ser um dos beneficiários do esquema investigado envolvendo o Banco Master, dirigido pelo empresário Daniel Vorcaro.
Prefeitos das três maiores cidades do Piauí, próximos ao senador, como Silvio Mendes (União), de Teresina; Francisco Emanuel (PP), de Parnaíba; e Antônio Reis (PSD), de Floriano, ainda não se pronunciaram publicamente sobre as acusações contra o parlamentar.
A percepção entre os aliados é que essas lideranças preferem evitar qualquer associação pública ao senador devido à repercussão da operação.
Mesmo com o silêncio dos aliados, pesquisas realizadas por membros do PT no estado indicam que a ação da PF ainda não afetou significativamente o eleitorado piauiense.
De acordo com os levantamentos, Ciro continua mantendo força política, especialmente nas cidades menores do interior.
A operação da Polícia Federal
Na quinta-feira, a Polícia Federal iniciou uma nova fase da Operação Compliance Zero, aprofundando as investigações sobre um possível esquema de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.
Os policiais federais cumpriram mandados de busca e apreensão, além de um mandado de prisão temporária, nos estados do Piauí, São Paulo e Minas Gerais, além do Distrito Federal.

As medidas foram autorizadas pelo ministro André Mendonça, relator do caso envolvendo o Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF).

O capiou capotou

 


A pré-candidatura presidencial do ex-governador Romeu Zema (Novo) enfrenta um cenário cada vez mais adverso em Minas Gerais, estado que administrou por sete anos e que deveria funcionar como principal base eleitoral de seu projeto nacional. Segundo reportagem publicada pelo jornal Estado de S. Paulo, o desempenho fraco nas pesquisas entre os próprios mineiros ampliou a pressão de aliados da direita para que Zema abandone a corrida ao Palácio do Planalto.

O dia


Braços dados, Governador Elmano e Presidente Romeu,da Assembleia do Ceará pegaram o rumo de NY. Foram falar pra plateias de empresários o que no Ceará tem disso sim; tudo de bom pra empreendedores. Tem portos , aeroportos, tecnologia, espaços, comunicação e uma vontade imensa de tocar pra frente. E dias nascentes de luz de proa, que é farol que alumia.

Opinião

 

Flávio sem Ciro Nogueira seria como um Piu-Piu sem o Frajola
Josias de SouzaColunista do UOL
Ciro Nogueira e Flávio Bolsonaro
Imagem: Agência Senado
Se o vaivém de uma campanha eleitoral ensina alguma coisa é que convém ao eleitor desconfiar. Com o esforço de Flávio Bolsonaro para se dissociar do senador Ciro Nogueira, a questão acaba sendo não qual é a verdade, mas qual é a versão mais conveniente para o filho de Bolsonaro.
Ciro preside o PP, legenda que compõe com o União Brasil uma federação partidária. As revelações da Polícia Federal sobre os vínculos financeiros promíscuos do senador com Daniel Vorcaro ganharam o noticiário no momento em que Flávio costura com o conglomerado União-PP uma aliança estratégica.
Flávio descobriu que se desvincular de Ciro, ex-chefe da Casa Civil na Presidência do seu pai, é mais complicado do que parece. Distância demais ameaça a aliança com o centrão. Proximidade demais transforma o slogan do PT em realidade: "Bolso-Master".
Até outro dia, Flávio tratava Ciro como "vice dos sonhos". Ou como patrono da indicação de Tereza Cristina, senadora do PP, como número 2 da chapa presidencial. Fica difícil, dificílimo ostentar a indignação coreográfica de Flávio sem melindrar com o parceiro tóxico e seu grupo político.
O eleitorado bolsonarista dá de ombros para o paradoxo. Mas o eleitor independente de centro, decisivo para a definição do tira-teima de uma sucessão em que os representantes dos polos estão estatisticamente empatados nas pesquisas, talvez se lembre de uma música que já esteve no topo das paradas de sucesso.
Como na canção de Claudinho e Bochecha, interpretada magistralmente por Adriana Calcanhoto, Flávio Bolsonaro sem Ciro Nogueira é mais ou menos como "avião sem asa, fogueira sem brasa, futebol sem bola, Piu-Piu sem Frajola.".

De Josias de Souza-Colunista do UOL

Ciro Nogueira adquiriu triplex de R$ 22 milhões em SP antes de propor emenda Master

 

Senador Ciro Nogueira e o triplex de R$ 22 milhões em São Paulo sob suspeita de pagamento de propina. (Foto: Instagram)
O senador Ciro Nogueira (PP-PI) adquiriu um luxuoso triplex avaliado em R$ 22 milhões em São Paulo, apenas três meses após se tornar parceiro do banqueiro Daniel Vorcaro e 26 dias antes de propor a controversa “emenda Master”, investigada pela Polícia Federal como um dos vínculos entre o senador e o banco envolvido em uma fraude bilionária.
Na última quinta-feira (7/5), Ciro foi alvo de mandados de busca e apreensão na quinta fase da Operação Compliance Zero, sob suspeita de agir “em benefício do banqueiro Daniel Vorcaro, em troca de vantagens econômicas indevidas”. De acordo com a PF, ele recebia entre R$ 300 mil e R$ 500 mil mensais do banqueiro. O senador, que também é presidente nacional do PP, nega as acusações.
O triplex, com 514 metros quadrados, está localizado na famosa Rua Oscar Freire, conhecida por suas lojas de grife e restaurantes de alta gastronomia. A compra foi realizada em julho de 2024, diretamente com a incorporadora RFM. Com três suítes e três vagas de garagem, o imóvel ainda está em fase final de construção.
Em 13 de agosto de 2024, Ciro apresentou uma emenda à PEC nº 65/2023, que ampliava a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante, uma demanda do banco Master, que já enfrentava uma grave crise de liquidez. A PF indica que a emenda foi elaborada pela assessoria do banco e apresentada “integralmente” por Ciro no Senado. Mensagens interceptadas mostram Vorcaro afirmando que o texto “saiu exatamente como mandei”.
Ciro afirmou ao Metrópoles que a compra do triplex foi feita mediante a entrega de um apartamento no mesmo prédio, avaliado em R$ 8 milhões, e o restante em dinheiro, parcelado. Segundo ele, ainda faltam seis parcelas de R$ 336 mil e R$ 6,7 milhões na entrega das chaves.
“O imóvel foi negociado com a construtora e pago integralmente por minha empresa”, disse Ciro, referindo-se à CNLF Empreendimentos Imobiliários, suspeita de ter sido usada por ele para receber pagamentos ilícitos do banco Master.
O imóvel entregue por Ciro na negociação, no 1º andar, teria sido comprado em 18 de janeiro de 2023, logo após o início das obras. Durante a construção, ele considerou trocá-lo por outro apartamento no 17º andar, mas acabou desistindo e optando pela troca pelo triplex. Segundo Ciro, o valor do imóvel na cobertura seria hoje cerca de R$ 30 milhões.
TROCA DO TRIPLEX POR MANSÃO
Em março deste ano, Ciro optou por uma nova troca, mesmo com parcelas do apartamento ainda pendentes. Desta vez, por uma casa de altíssimo padrão no Jardim Europa, um bairro conhecido por suas mansões em São Paulo.
O imóvel de 878 metros quadrados, também em fase final de construção, é projetado pelo renomado arquiteto Arthur Casas Mattos. A negociação foi feita com o empresário Antônio Rocha Neto, amigo de Ciro, que atua nos ramos de educação e transportes.
Desde o início do ano, a equipe de arquitetos passou a responder diretamente ao senador e à sua namorada, Lorena Furtado. O casal solicitou diversas mudanças no projeto, incluindo a substituição de uma sala de home theater por um espaço luxuoso para festas, com bar e mesa de DJ. A intenção de Ciro seria utilizar o imóvel como uma “casa de negócios”.
A mansão contará com piscina aquecida, jardins de inverno, academia e até um SPA no último andar. A expectativa é que Ciro desfrute da nova propriedade a partir do segundo semestre deste ano.
Segundo Ciro, quando a casa no Jardim Europa estiver concluída, terá um valor de mercado equivalente ao do triplex, em torno de R$ 30 milhões. Antônio Rocha Neto, ao ser procurado, afirmou que planejava morar no imóvel, mas mudou de ideia após um assalto à sua família, optando pela permuta com Ciro.
CIRO E MASTER
A investigação da Polícia Federal aponta que a emenda proposta por Ciro Nogueira em agosto de 2024 visava proteger operações fraudulentas do Banco Master. O texto previa quadruplicar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), de R$ 250 mil para R$ 1 milhão.
A emenda não foi adiante. O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025, durante a primeira fase da Operação Compliance Zero, que prendeu Daniel Vorcaro por suspeita de fraude bilionária. O FGC pagará R$ 40 bilhões para 800 mil pessoas com até R$ 250 mil investidos no Master.
A PF, ao solicitar mandados contra Ciro Nogueira, cita mensagens de Vorcaro afirmando que a emenda saiu “exatamente como mandei” e diálogos com seu primo Felipe Vorcaro que indicam pagamentos mensais de propina ao senador.
“Oi, é para continuar pagando a parceria BRGD/CNLF? 300k mes?”, perguntou Felipe em 25 de julho de 2024. “Sim”, respondeu Daniel. A PF afirma que as mensagens são corroboradas por relatórios do Coaf, que confirmam as transferências.
Felipe Vorcaro foi preso na mesma fase da operação que fez buscas nos endereços de Ciro. A empresa CNLF, mencionada nas mensagens, é apontada como uma holding patrimonial do senador.
Segundo a PF, Ciro se tornou sócio de Vorcaro em abril de 2024, quando a CNLF adquiriu 30% em ativos da Green Investimentos por R$ 1 milhão, embora as ações valessem R$ 13 milhões. Para os investigadores, Ciro obteve uma “vantagem negocial” de R$ 12 milhões em um empreendimento ligado à família Vorcaro enquanto defendia os interesses do Master no Congresso.
“PERSEGUIÇÃO POLÍTICA”
Na última sexta-feira (8/5), Ciro Nogueira se pronunciou pela primeira vez sobre a operação da PF. Em nota nas redes sociais, afirmou ser alvo de “perseguição política” e que tentam “manchar” sua honra em anos eleitorais.
“Todo ano político é a mesma coisa. Tentam parar de todas as formas quem lidera as pesquisas de intenção de votos”, escreveu o senador. Ciro relembrou a eleição de 2018, quando também teria sido alvo de acusações semelhantes. “O povo do Piauí sentiu a perseguição política e o efeito foi contrário”, afirmou.

Defensoria Pública do Ceará

 

A Assembleia Legislativa do Ceará (Alece) promove nesta segunda-feira (11), a partir das 14 horas, audiência pública para debater a atuação e o fortalecimento da Defensoria Pública do Estado do Ceará. O encontro será no Complexo de Comissões Técnicas da Casa. O encontro atende a requerimento do deputado estadual Renato Roseno (Psol) e da Associação dos Defensores Públicos do Estado do Ceará (ADPEC). Segundo a ADPEC, a solicitação se justifica pela importância estratégica da Defensoria Pública para a consolidação do Estado Democrático de Direito no Ceará.