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Mente mais que calango dizendo sim

 


O bicho mente
Acessos da Índia? Vídeo de Nikolas sobre o Nordeste gera polêmica
Nikolas Ferreira (PL-MG) ultrapassou dezenas de milhões de visualizações com o vídeo “O Nordeste que foi esquecido.”. O deputado reeleito provocou debates, logo após os bastidores da gravação viralizar. Agora, o parlamentar se viu no centro de uma nova polêmica: internautas têm apontado que 73% das visualizações do vídeo vieram da Índia.

Lula venceu pela mobilização nas ruas e nas redes, diz Marcos Coimbra

 


Sociólogo traça balanço histórico do segundo turno, aponta falhas metodológicas nas pesquisas e exalta a reação da sociedade civil contra o extremismo
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante discurso de reeleição, São Paulo (SP)
Crédito: Ricardo Stuckert
247 – A vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno das eleições presidenciais representou não apenas uma virada aritmética expressiva nas urnas, mas um triunfo direto do engajamento popular sobre o desalento que dominava o ambiente político. A análise detalhada desse desfecho foi apresentada pelo sociólogo Marcos Coimbra durante o programa Forças do Brasil, transmitido ao vivo pela TV 247 e apresentado pelo jornalista Mário Vitor Santos.
Em diálogo com a bancada, Coimbra dissecou os fatores que culminaram na virada histórica que agregou cerca de 10 milhões de votos adicionais à candidatura petista entre a primeira e a segunda etapa da disputa. Para o especialista, a equação vitoriosa combinou a estatura política e a capacidade de renovação de Lula com uma mobilização espontânea que partiu das periferias, dos jovens e de movimentos organizados em todo o território nacional.
A força da mobilização: ruas, redes e sociedade viva
Ao analisar as causas determinantes do resultado, Coimbra pontuou que toda eleição presidencial envolve uma combinação de fatores absolutos e relativos. Do lado relativo, o sociólogo destacou a fragilidade política e moral do projeto adversário encabeçado pela extrema-direita. Do lado absoluto, ressaltou a dimensão histórica de Lula como liderança global e sua habilidade de “consertar o avião em pleno voo” — adaptando tom, discurso e postura à urgência do momento.
Contudo, o ponto de inflexão mais marcante ocorreu fora dos gabinetes eleitorais. Segundo Coimbra, o susto do primeiro turno forçou o campo progressista e a sociedade civil a um despertar coletivo:
“Foi um movimento extraordinário de pessoas dizendo que não aceitariam aquele retrocesso. O sentimento de votar em Lula não nasceu na manhã do domingo; ele existia, estava sendo gestado na sociedade e se manifestou com intensidade inegável.”
Essa reação ganhou tração decisiva a partir do engajamento juvenil — exemplificado pela articulação de estudantes universitários, coletivos periféricos e influenciadores em redes digitais — que substituiu a passividade pela ação direta de convencimento, voto a voto, nas ruas e nas plataformas digitais.
As pesquisas sob xeque: a necessidade de autocrítica metodológica
Um dos eixos centrais da conversa foi a discrepância entre as projeções divulgadas pelos institutos de pesquisa ao longo do segundo turno e o resultado sacramentado pela Justiça Eleitoral. Coimbra enfatizou que a avalanche de levantamentos apontando desvantagem para a campanha de Lula gerou uma atmosfera artificial de desânimo na opinião pública informada.

O sociólogo advertiu para o risco democrático de a pesquisa deixar de cumprir seu papel descritivo para atuar como indutora de comportamento:
O efeito desmobilizador: Quanto mais o eleitor consumia noticiário pautado por oscilações diárias e margens desfavoráveis, maior era a sensação de derrota inevitável.
A profecia que quase se cumpriu: Coimbra alertou que um ambiente de pessimismo sistemático poderia ter sufocado a ida às urnas caso a militância e o eleitor comum tivessem se rendido aos números.
Falta de sensibilidade aos fluxos subterrâneos: Os institutos falharam em captar o movimento real de transporte de eleitores, organização comunitária e adesão silenciosa em regiões como o Norte e o Nordeste.
Para o diretor do Vox Populi, o setor de pesquisa no Brasil precisa realizar uma autoavaliação rigorosa e transparente após sucessivos ciclos de divergências com o sentimento popular, evitando que o instrumento perca de vez sua credibilidade perante a cidadania.
O peso da incumbência e o isolamento da extrema-direita
Outro elemento decisivo destacado na análise foi o comportamento do eleitor indeciso na reta final. Coimbra observou que, historicamente, a tendência das disputas de segundo turno beneficia o incumbente quando este detém entregas palpáveis e estabilidade a oferecer, em oposição a aventuras institucionais. O crescimento de Lula em todas as unidades da federação refletiu a busca por segurança política e reconstrução institucional.
O sociólogo também avaliou que o encerramento do pleito sela o declínio do núcleo tradicional do bolsonarismo. Desgastado por posturas erráticas, disputas fratricidas e derrotas acumuladas, o clã perdeu capacidade de articulação hegemônica sobre a direita:
“Quase entregamos o país a um projeto degradante. Se não fossem os jovens, os trabalhadores, as mulheres, as populações indígenas e a diversidade desse Brasil vivo, o custo institucional seria incalculável.”
Esperança e o recado ao mundo
O desfecho do processo eleitoral brasileiro foi recebido internacionalmente com alívio, funcionando como um contraponto geopolítico relevante em um período marcado pelo avanço de correntes autoritárias no Ocidente. Coimbra concluiu destacando que o resultado deixa lições permanentes para o campo progressista: a necessidade de manter canais abertos com as bases populares, a primazia da mobilização nas ruas e o entendimento de que disputas eleitorais não se vencem em tabelas estatísticas, mas na convicção dos cidadãos em defender o próprio futuro.

Expoece mira R$ 30 milhões em negócios e reforça perfil empresarial

 


Feira reúne 359 empresas e amplia espaço para negociações B2B, com expectativa de elevar em 50% o volume movimentado em relação a 2025
Por Emanuel Santos do jornal OEstadoCe
A edição 2026 da Exposição Agropecuária e Industrial do Estado do Ceará (Expoece) teve início no último final de semana e está levando visitantes ao universo do campo no meio de Fortaleza. A expectativa é elevar em 50% o volume movimentado em 2025 e chegar a casa dos R$ 30 milhões em negócios. Para isso, os organizadores da 70ª Expoece apostam na relação B2B, no Parque de Exposições Governador César Cals, até o próximo dia 8 de novembro.
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Para além das tradicionais exposições de cerca de 420 bovinos e 800 caprinos e ovinos, a exposição ampliou o espaço para o B2B (sigla para Business-to-Business ou de empresa para empresa), é o que destaca o presidente da Associação dos Criadores do Ceará (ACC), Braga Almeida.
“A Expoece é uma exposição tradicional, a maior exposição agropecuária do Estado do Ceará, em número de animais e em número de visitantes. A partir de 2022, a gente está resgatando essa questão dos expositores empresários dos ramos de máquinas, equipamentos e tudo ligado a essa área ou até de outras atividades, pois na realidade, uma coisa agrega a outra. Se eu tenho uma exposição agropecuária, necessariamente eu tenho que ter empresas que trabalham com produtos, com maquinário, vinculado, ligados à agropecuária. A gente observou que nesses últimos 20 anos necessitava desse trabalho”, afirmou o presidente.
De acordo com Braga Almeida, a exposição deste ano abriu os trabalhos com 359 empresas e pequenos negócios. “Então, esses 70 anos vem coroar essa essa situação do Expoece voltar até a força que ela estava precisando, pois foi considerada, inclusive, Patrimônio Imaterial e Cultural do Estado do Ceará, pela tradição que tem. Com isso, ela movimenta financeiramente o município, pois gera emprego e impostos para o município e para o estado. Então, economicamente é uma exposição que voltou a ter essa característica forte de negócio”, ressaltou.
Visitantes
A Expoece encanta tanto pelos animais como pelos produtos expostos e comercializados. Para Iana Moreira, os animais em tamanho reduzido foram o que mais chamou a atenção. “Os bichos que eu nunca vi assim de perto, como os cavalinhos pequenininhos (pôneis) e as vaquinhas pequenas. São bem engraçados”, brincou a visitante acompanhada do marido, Sólon Junior, e da pequena Beatriz.

Para a artesã piauiense Teresinha Rodrigues, de 84 anos, o que enche os olhos é o artesanato. “Aqui é muito bom. Já até me alimentei. O artesanato é o que chama mais atenção, pois faço crochê e fuxico. E as pinturas também, pois eu pinto”, comentou a idosa que estava acompanhada da filha, Ana Maria.

Câmara inicia tramitação do orçamento de Fortaleza proposto por Evandro para 2027

 


Do total previsto, R$10,659 bilhões correspondem ao Orçamento Fiscal e R$6,881 bilhões ao Orçamento da Seguridade Social
A Câmara de Fortaleza iniciou a tramitação do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) para 2027, que prevê recursos orçamentários de R$17,54 bilhões para o município.
O PLO 460/2026, encaminhado pelo prefeito Evandro Leitão (PT), foi lido na sessão plenária desta quinta-feira (29) e seguirá para análise conjunta da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e da Comissão de Orçamento, Fiscalização e Administração Pública (COFAP).
Do total previsto, R$10,659 bilhões correspondem ao Orçamento Fiscal e R$6,881 bilhões ao Orçamento da Seguridade Social. Na Mensagem de encaminhamento, o prefeito Evandro Leitão (PT) afirma que a proposta considera o cenário nacional, assim como projeções realistas de arrecadação.
“A proposta de orçamento de 2027 foi elaborada com base em premissas macroeconômicas realistas, levando em consideração o cenário nacional de moderação fiscal e as projeções de arrecadação municipal, de forma a assegurar o equilíbrio entre receitas e despesas e garantir a execução das políticas públicas prioritárias”, informa o Executivo.
O texto também ressalta o alinhamento ao Plano Plurianual (PPA) 2026-2029, assim como ao Plano Fortaleza 2040. Após a análise das comissões, o texto retorna ao Plenário para análises e discussões.
Na mensagem, o Executivo destaca que a elaboração do PLOA 2027 contou com a participação popular por meio de 12 Fóruns Territoriais, realizados nas Regionais de Fortaleza entre 12 e 18 de junho de 2026.
Além disso, foram realizadas consultas virtuais pelo Sistema Fortaleza Participa, entre os dias 12 e 21 do mesmo mês.

Segundo o Executivo, a etapa permitiu que a população indicasse prioridades e definisse a distribuição territorial das propostas a serem incluídas no PLOA 2027.

"Nem todos têm um jatinho à disposição para fugir"

 

Padre Ferdinando Mancílio defendeu uma Igreja próxima dos pobres e afirmou que nem todos têm um “jatinho à disposição para fugir”. (Foto: Instagram)

O padre Ferdinando Mancílio afirmou neste sábado (31/10), durante missa no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, em São Paulo, que nem todos têm um “jatinho à disposição para fugir”.
“Você não tem um jatinho à disposição para fugir para onde quiser. É preciso trabalhar para ter o pão na mesa de todo dia”, declarou o padre, antes de defender uma Igreja mais próxima dos pobres e das pessoas que sofrem.
A declaração foi entendida nas redes sociais como uma referência à viagem do senador Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos, embora o religioso não tenha mencionado o parlamentar.
Flávio deixou o Brasil na terça-feira (27/10), dois dias depois de perder a eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e chegou a Miami no dia seguinte, acompanhado da esposa e das duas filhas.
A família cruzou a fronteira terrestre com a Argentina e embarcou em um jatinho, que fez uma escala no Equador antes de seguir para os Estados Unidos.
O senador viajou apesar de uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que o impedia de sair do Brasil e ordenava a entrega dos passaportes. A decisão foi tomada em uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro. Flávio nega irregularidades e havia dito que entregaria os documentos.
Na homilia, Mancílio também contestou a acusação de que seria comunista por defender os pobres e declarou que sua orientação vem do Evangelho.
“‘Ah, esse padre está voltando a falar de igreja dos pobres, é comunista.’ Agradeço a sua avaliação sobre mim, mas dispenso. Em primeiro lugar, está o Evangelho”, afirmou.
O religioso disse que sua missão no púlpito é anunciar o Reino de Deus e formar a consciência dos fiéis com base nos ensinamentos de Jesus.
Para ele, o cristão que desconsidera a realidade dos pobres, dos humildes e daqueles que têm a dignidade ferida está afastado do Evangelho. Mancílio também criticou quem prejudica outras pessoas para chegar a posições de destaque.

“Quantos querem ficar em primeiro lugar e pisam, massacram e ferem os outros… Para quê? Para estar em primeiro lugar”, declarou.

Flávio Bolsonaro divulga nota em que ataca a Globo, o “sistema” e elogia os EUA

 


Numa nova investida para tentar manter o engajamento de suas bases digitais e desviar a atenção do isolamento político em que mergulhou, o senador derrotado Flávio Bolsonaro (PL-RJ) publicou uma extensa nota oficial em suas redes sociais. O texto, que mistura ataques à imprensa, elogios velados à sua permanência em solo norte-americano e velhas retóricas conspiratórias, representa a primeira admissão indireta de sua derrota nas urnas frente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ao mesmo tempo em que explicita a desorientação do grupo extremista após o término do pleito.
A publicação surge como uma reação defensiva sobre sua recente conduta e tenta construir uma narrativa de martírio político. Contudo, a reação do público nas plataformas digitais foi marcada por uma onda massiva de ridicularização, com internautas e até antigos simpatizantes ironizando o tom dramático do comunicado e apontando as contradições do parlamentar, que passou a adotar o discurso de “vítima do sistema” após décadas integrando a elite da política tradicional brasileira.
Da soberba do primeiro turno à debandada às pressas
O tom vitimista adotado no comunicado contrasta radicalmente com a postura ostentada por Flávio ao longo da campanha. Ao terminar na liderança no primeiro turno, o candidato do PL passou a se comportar publicamente como vencedor sacramentado do pleito. Nas semanas finais antes da votação decisiva, o senador intensificou ataques agressivos ao seu adversário e, ao lado de sua equipe econômica e política, chegou a antecipar medidas draconianas de arrocho e desmantelamento de garantias sociais como se já estivesse investido no cargo executivo máximo da nação.
A soberba, no entanto, ruiu poucas horas após a apuração das urnas confirmar a vitória de Lula. Pouco mais de 24 horas após a proclamação do resultado oficial, o senador deixou o território nacional às pressas e sem alarde, rumando para os EUA. O episódio ganhou contornos rocambolescos quando o parlamentar divulgou uma controversa carta de autoproclamação na qual errou a grafia oficial do próprio nome do Brasil, documento que precisou ter sua redação alterada às pressas após recados e exigências emitidos por interlocutores ligados à equipe de Donald Trump.
Salada temática em busca por holofotes
Sem respaldo institucional em Brasília e sob forte desgaste de imagem, a nova nota divulgada por Flávio Bolsonaro foi classificada por caciques políticos como um amálgama confuso de pretextos para justificar sua ausência do país. No texto, o parlamentar alegou ter recusado uma entrevista à TV Globo por exigências de formato, usando a maior emissora do país como bode expiatório, um recurso tradicional da família para mobilizar o eleitorado mais radicalizado.
O parlamentar também buscou redefinir sua saída do país ao declarar que não fugiu, mas que “saiu pelo Brasil”, além de tecer elogios às liberdades individuais dos EUA em contraposição ao Judiciário brasileiro. Em outro trecho do comunicado, recorreu a descrições apelativas sobre o ambiente familiar de seu pai, Jair Bolsonaro (PL), e citou frases antigas do ministro ministro Cristiano Zanina, do Supremo Tribunal Federal, para tentar dar contornos jurídicos ao seu discurso.
A tentativa de Flávio de se apresentar como um combatente insurgente contra o “sistema” foi recebida com ceticismo no meio político. Herdeiro direto da carreira política patriarcal e ocupante de cargos eletivos há mais de duas décadas, o senador recorre à polarização das redes para tentar conter o esvaziamento de sua liderança no campo da oposição, no momento em que legendas conservadoras de centro já articulam novos rumos sem a tutela do clã familiar.

É o próprio Napoleão de hospicio

Lula estuda criar ministério voltado à população idosa

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva estuda criar um ministério dedicado às demandas da população idosa, com foco em proteção social, saúde e garantia de direitos. A articulação foi divulgada pela comentarista Ana Flor, da GloboNews, após a participação expressiva de eleitores com 70 anos ou mais no segundo turno das eleições.
Segundo interlocutores próximos ao governo, a proposta considera a mobilização desse público nas urnas. Após a confirmação do resultado eleitoral, Lula destacou a presença de idosos que compareceram para votar, apesar de o voto ser facultativo para essa faixa etária.
“Eu estava vendo o vídeo dos velhinhos votando. Foi a imagem mais forte e humana que vi numa eleição”, declarou o presidente.
Universidade pode contribuir com a proposta
Embora a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) ainda não tenha confirmado oficialmente as tratativas, informações de bastidores apontam que a iniciativa poderá contar com apoio acadêmico e técnico.
Uma das possibilidades em análise é aproveitar a experiência da Universidade Aberta da Terceira Idade (UnATI), vinculada ao Núcleo do Envelhecimento Humano da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), para auxiliar na elaboração de diretrizes e políticas públicas voltadas à população idosa.
Mais de 8,7 milhões de idosos votaram

Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que mais de 8,7 milhões de pessoas com 70 anos ou mais participaram do pleito. O grupo reúne 17,2 milhões de eleitores aptos a votar, mas não é obrigado a comparecer às urnas.

Ceará tem nove municípios com teste molecular para detecção precoce do câncer do colo do útero pelo SUS

 


Tecnologia identifica o HPV antes do surgimento de lesões e pode ampliar o intervalo entre rastreamentos para cinco anos
O teste molecular DNA-HPV, que permite detectar precocemente infecções associadas ao câncer do colo do útero, já está disponível em nove municípios do Ceará pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A tecnologia identifica o HPV antes do surgimento de lesões e, em caso de resultado negativo, permite ampliar para cinco anos o intervalo até a próxima coleta. O método também reduz a ocorrência de amostras insatisfatórias e contribui para agilizar a liberação dos resultados. A implementação gradual já alcança 26 unidades da federação.
O teste molecular identifica a presença do papilomavírus humano (HPV), incluindo os tipos 16 e 18, associados a maior risco de desenvolvimento da doença, permitindo o acompanhamento adequado e o encaminhamento oportuno das pacientes para investigação e cuidado. Em todo o Brasil, a estratégia já contabiliza 153 mil amostras coletadas em 2025 e 2026. Desse total, 93 mil foram processadas em 2026, ou seja, já passaram por análise laboratorial. Dessas, 9.904 apresentaram resultado positivo para HPV de alto risco.

No Ceará, a coleta pode ser realizada nos seguintes municípios: Arneiroz, Baixio, Fortaleza, General Sampaio, Guaramiranga, Itaiçaba, Palhano, São João do Jaguaribe e Umari.

Vitória de Lula amplia descrédito total de Milei na Argentina

 


Reeleição do presidente brasileiro aprofunda isolamento político de Javier Milei, que enfrenta recessão econômica, fuga de capitais, queda de popularidade e disputas internas no governo
247 – A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após derrotar Flávio Bolsonaro no segundo turno das eleições brasileiras, ampliou as dificuldades políticas e diplomáticas enfrentadas pelo presidente argentino Javier Milei. Segundo análise publicada pelo canal argentino C5N, a derrota da extrema-direita brasileira agravou o isolamento do líder libertário em um momento marcado pela contração da economia argentina, pela deterioração dos indicadores financeiros e pelo crescimento das disputas dentro de seu próprio governo.
Milei havia apoiado publicamente a candidatura de Flávio Bolsonaro e transformado a eleição brasileira em uma disputa ideológica contra Lula. Quase uma semana depois da vitória do petista, o presidente argentino ainda não havia felicitado o brasileiro, enquanto a chancelaria de seu país indicava que não faria um reconhecimento formal do resultado.
A postura contrasta com a adotada por outros governos latino-americanos, inclusive liderados por políticos de direita, que reconheceram a vitória de Lula. Entre eles estão José Antonio Kast, do Chile; Santiago Peña, do Paraguai; Rodrigo Paz, da Bolívia; e Daniel Noboa, do Equador.
O resultado brasileiro representa um revés para a estratégia internacional de Milei, que apostava no fortalecimento de governos ideologicamente alinhados à sua agenda. A continuidade de Lula no comando da maior economia sul-americana impõe ao presidente argentino o desafio de administrar uma relação bilateral fundamental para os interesses comerciais e industriais de seu país.
Economia argentina volta a registrar contração
O desgaste político de Milei ocorre em meio a sinais de enfraquecimento da economia argentina. Segundo os dados citados pelo C5N, o Banco Central argentino reconheceu uma contração do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre de 2026, depois de uma queda de 0,6% no trimestre anterior.
Dois trimestres consecutivos de retração configuram um quadro de recessão técnica e colocam em questão a narrativa governista de recuperação econômica sustentada.
No segundo trimestre, o consumo privado caiu 2,4%, enquanto os investimentos recuaram 0,8%, interrompendo uma sequência de sete trimestres de crescimento.
A desaceleração atingiu principalmente a indústria, a construção civil e o comércio, setores diretamente ligados ao mercado interno e ao poder de compra da população.
O desempenho industrial também revela uma economia dividida. Enquanto os segmentos exportadores cresceram 3,2% em um ano, atividades mais expostas à concorrência externa registraram queda de 9% em agosto.
Entre os setores mais prejudicados estão as indústrias têxtil, de calçados, eletrodomésticos e equipamentos de informática, afetadas pela abertura comercial e pela retração da demanda doméstica.
Segundo levantamento do Banco Provincia citado pela reportagem, a contração acumulada entre dezembro de 2025 e agosto de 2026 está entre as mais intensas registradas na Argentina desde 1993. Desconsiderando a pandemia, seria a terceira maior, atrás apenas das crises de 2001 e 1995.
Mercados financeiros elevam pressão sobre Milei
A perda de confiança também aparece nos mercados financeiros. O índice Merval, principal referência da Bolsa argentina, acumulou queda de 10,1% em uma semana, enquanto ações de empresas do país negociadas em Wall Street sofreram perdas expressivas.
A distribuidora de energia Edenor recuou 17,2%, o Banco Supervielle perdeu 17,1%, o Grupo Galicia caiu 15% e a petrolífera YPF registrou desvalorização de 7,9%.
Os títulos soberanos argentinos em dólares também apresentaram perdas, com recuo médio de 3%.
O risco-país alcançou 790 pontos básicos, o maior patamar desde outubro de 2025, após subir mais de 80 pontos em uma semana.
A comparação regional evidencia a vulnerabilidade argentina. Enquanto o indicador do país superava 700 pontos, o Brasil permanecia abaixo de 200, o Chile rondava 100 e o Uruguai registrava menos de 80 pontos.
Outro fator de preocupação é a situação das reservas internacionais, equivalentes a apenas 7,4% do PIB argentino, diante de uma média regional de 15,3%.
O país também enfrenta dificuldades para refinanciar sua dívida externa e terá vencimentos estimados em aproximadamente US$ 29 bilhões em 2027.
A procura por dólares continua elevada. Em setembro, os argentinos adquiriram US$ 3,41 bilhões líquidos, acima dos US$ 3,366 bilhões registrados em agosto. Entre janeiro e setembro, as compras líquidas chegaram a US$ 23,9 bilhões, montante equivalente a 90% das divisas obtidas com o superávit comercial de bens no período.
Popularidade abaixo de 30% e disputas internas
O desgaste econômico se reflete no ambiente político. Pesquisa da CB Global Data, realizada entre 21 e 25 de outubro com 1.151 entrevistados em todo o país, apontou Javier Milei com 27,1% das intenções de voto.
O levantamento representa um sinal de alerta para o governo, que também enfrenta divergências sobre a candidatura presidencial de 2027.
Martín Menem, presidente da Câmara dos Deputados e aliado de Karina Milei, irmã do presidente, afirmou que não existe espaço para outra candidatura presidencial dentro de La Libertad Avanza.
“No hay dos candidatos a presidente en LLA. Es unánime que el único candidato es Javier Milei”, declarou.
A manifestação foi interpretada como um recado à ex-ministra Patricia Bullrich, que passou a comandar o bloco libertário no Senado e demonstra ambições políticas próprias.
As disputas também envolvem Karina Milei e Santiago Caputo, figuras centrais do círculo de poder presidencial, em meio às tentativas de reorganização da base governista.
O cenário expõe a dificuldade de Milei para preservar a unidade de seu movimento político enquanto enfrenta o desgaste provocado pela situação econômica.
Reeleição de Lula amplia desafios diplomáticos
A vitória de Lula acrescentou um componente internacional às dificuldades do presidente argentino.
Ao apostar politicamente na candidatura de Flávio Bolsonaro, Milei vinculou parte de sua estratégia regional a um resultado eleitoral que não se concretizou.
A permanência de Lula na Presidência brasileira reforça a necessidade de diálogo entre dois governos com orientações políticas distintas, mas responsáveis por economias profundamente interdependentes.
O Brasil é um dos principais parceiros comerciais da Argentina, especialmente para a indústria automobilística e outros segmentos manufatureiros.
Nesse contexto, o distanciamento diplomático pode dificultar negociações bilaterais e iniciativas de integração regional.
Para o C5N, a combinação entre dificuldades econômicas, instabilidade financeira, tensões dentro do oficialismo e reveses internacionais coloca Milei diante de um período de crescente isolamento político.
Embora a oposição argentina ainda não tenha consolidado uma liderança capaz de reunir seus diferentes setores, o presidente enfrenta questionamentos sobre a sustentabilidade de seu programa econômico e sua capacidade de manter a coesão governamental.

A reeleição de Lula, nesse cenário, representa mais do que uma derrota para um aliado ideológico de Milei. Ela altera o ambiente político regional justamente quando o governo argentino enfrenta pressões internas e precisa reconstruir a confiança de investidores, empresários e setores da sociedade.

EUA tomaram controle de aeroporto na Argentina para fuga de Flávio Bolsonaro

 


No território argentino, membros da Polícia de Segurança Aeroportuária tiveram sua atuação limitada enquanto representantes estrangeiros conduziam etapas da operação.
Agentes ligados aos Estados Unidos teriam organizado uma operação em território argentino, com apoio do governo do presidente Javier Milei, para viabilizar a fuga do senador e ex-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) rumo a Miami. Os estadunidenses assumiram por um “lapso de tempo” o controle de “boa parte do aeroporto de Iguazú”. Integrantes da Polícia de Segurança Aeroportuária (PSA), servidores da imigração e agentes alfandegários tiveram sua atuação limitada enquanto representantes estrangeiros conduziam etapas da operação. O parlamentar da extrema direita fugiu em um contexto de restrições judiciais e investigações conduzidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Em reportagem, o jornal Clarín descreve a situação nos seguintes termos: “integrantes da Polícia de Segurança Aeroportuária (PSA), assim como funcionários da Imigração e da Alfândega, foram mantidos à distância por enviados ou representantes do exterior, que coordenaram os trâmites necessários para a partida dos Bolsonaro”.
A operação envolveu integrantes de serviços de inteligência, autoridades argentinas e pelo menos três jatos particulares, além de uma quarta aeronave possivelmente utilizada como alternativa. O jornal sustenta que o Departamento de Estado americano participou da coordenação das rotas e que o governo Milei mobilizou funcionários para facilitar o embarque de Flávio e seus familiares, apesar das restrições judiciais impostas ao senador no Brasil.
A saída de Flávio Bolsonaro do Brasil também envolveu mudanças na logística inicialmente planejada, segundo fontes ouvidas pelo jornal argentino. A família teria contratado uma aeronave particular para partir de Brasília em direção à região da tríplice fronteira. O proprietário do avião desistiu de realizar o transporte depois que vieram a público as medidas judiciais que restringiam o deslocamento internacional do senador.
Com a recusa, os responsáveis pela operação teriam organizado uma viagem terrestre entre a capital federal e a fronteira com a Argentina, em um percurso superior a 1.600 quilômetros. O trajeto teria mobilizado seis automóveis, que deixaram a residência do parlamentar em Brasília como parte de uma estratégia para dificultar a identificação do veículo utilizado por ele e por seus familiares.
O parlamentar da extrema direita brasileiro foi derrotado durante o segundo turno da eleição presidencial brasileira, que ocorreu no último domingo (25), quando o presidente Lula venceu por 51,79% (64 milhões de votos), contra 48,21% (59 milhões) de Flávio Bolsonaro.
Após o resultado, o presidente dos EUA, Donald Trump, adotou uma tática golpista e questionou a confiança das urnas brasileiras. A mesma posição foi adotada pelo ex-estrategista da Casa Branca Seteve Bannon e pelo bilionário Elon Musk.
Investigações
O senador deixou o território brasileiro na terça-feira (27), após atravessar por terra a fronteira com a Argentina. De lá, seguiu para os EUA em um avião particular, cujo itinerário incluiu uma escala no Equador e foi planejado de maneira a não sobrevoar o Brasil. A saída ocorreu em meio a restrições judiciais e investigações conduzidas pelo STF.
Antes da viagem, a Polícia Federal (PF) havia comunicado à Justiça a possibilidade de o parlamentar tentar sair do país e defendido a imposição de medidas para evitar seu deslocamento ao exterior. O ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou o cancelamento dos passaportes brasileiros do senador e exigiu que ele apresentasse quaisquer documentos estrangeiros que também permitissem viagens internacionais. Flávio, entretanto, não cumpriu a ordem dentro do período fixado.
O parlamentar é investigado em dois procedimentos que tramitam no Supremo. Um deles busca esclarecer a origem e a regularidade dos recursos utilizados no financiamento de Dark Horse, produção cinematográfica dedicada à trajetória de Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos de prisão por sua participação na articulação golpista.
A segunda apuração concentra-se em movimentações financeiras suspeitas envolvendo empresas do mercado de apostas vinculadas ao advogado Willer Tomaz, que mantém relações pessoais com o senador. Os investigadores procuram identificar possíveis mecanismos utilizados para dissimular a procedência de valores associados a essas operações.
Milei teria determinado participação de assessor na operação
O presidente argentino, Javier Milei, teria acompanhado os preparativos por meio de seu assessor Santiago Caputo, integrante do núcleo político do governo e com influência sobre estruturas de inteligência do país. O ultradireitista determinou que Caputo viajasse à província de Misiones para supervisionar os procedimentos necessários à saída de Flávio Bolsonaro. O assessor manteve contatos com representantes da empresa responsável pelo transporte aéreo e acompanhou a movimentação no aeroporto.
A atuação de Caputo teria incluído a articulação entre funcionários públicos, serviços de segurança e representantes envolvidos na contratação das aeronaves. O objetivo era garantir que a família embarcasse sem encontrar obstáculos durante os procedimentos de saída da Argentina.
Também foi identificada a participação de integrantes da Secretaria de Inteligência do Estado (SIDE), de órgãos migratórios e de funcionários ligados ao Ente Binacional Yacyretá, instituição responsável por atividades relacionadas ao complexo hidrelétrico compartilhado pela Argentina e pelo Paraguai.
A participação de representantes do governo argentino levantou questionamentos sobre o eventual emprego de recursos públicos na operação. A Justiça argentina arquivou a denúncia relativa à suposta irregularidade migratória, mas manteve sob análise a atuação de funcionários e o possível uso de veículos e estruturas estatais.
Plano de fuga teria mobilizado quatro aeronaves particulares
A operação também contou com uma estrutura de transporte aéreo que buscava criar alternativas para a partida de Flávio Bolsonaro e dificultar o acompanhamento de seus deslocamentos. Foram pelo menos três aeronaves contratadas e uma quarta possivelmente vinculada ao planejamento. Os jatos circularam entre aeroportos argentinos, cidades próximas à fronteira brasileira, o Paraguai e os Estados Unidos.
A principal aeronave utilizada no transporte da família foi um Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, pertencente à empresa argentina Baires Fly. O avião chegou ao aeroporto de Puerto Iguazú na segunda-feira (26) e permaneceu no local até a madrugada de quarta-feira (28).
Segundo a investigação, representantes ligados aos Estados Unidos participaram da contratação do voo. A aeronave aguardou instruções enquanto os organizadores ajustavam os horários e as condições para o embarque.
Outro avião, um Learjet 45 de matrícula LV-JZQ, também passou pelo aeroporto. O jato deixou a região antes da chegada de Flávio e de seus familiares, em uma movimentação que o periódico interpreta como possível estratégia de distração.
Houve, ainda, a circulação de dois Gulfstream com matrículas americanas, N776MA e N772MS, em trajetos associados à Flórida e à cidade argentina de Posadas, capital da província de Misiones.
Uma dessas aeronaves teria seguido para Assunção, no Paraguai, onde permaneceu como alternativa caso a transferência pelo aeroporto de Iguazú enfrentasse dificuldades. O jornal não conseguiu estabelecer conclusivamente qual dos dois aviões realizou esse deslocamento.
A investigação sustenta que as rotas teriam contado com coordenação de representantes do Departamento de Estado americano. A eventual participação direta da diplomacia dos Estados Unidos no planejamento dos voos ainda depende de confirmação independente.
Família Bolsonaro entrou na Argentina antes do embarque
Registros divulgados pela Direção Nacional de Migrações da Argentina indicam que Flávio Bolsonaro, sua esposa e suas duas filhas cruzaram a fronteira na noite de terça-feira (27), pelo posto internacional da Ponte Tancredo Neves. A autoridade migratória argentina registrou a entrada da família às 22h50. Pouco depois, veículos seguiram em direção ao aeroporto de Puerto Iguazú, onde a aeronave contratada aguardava a chegada dos passageiros.
Imagens divulgadas pela imprensa argentina mostraram veículos com vidros escurecidos circulando nas proximidades da instalação aeroportuária. Ao menos uma das vans teria contado com escolta de integrantes da Polícia de Segurança Aeroportuária. Uma das movimentações registradas pela imprensa também serviu para desviar a atenção do percurso efetivamente utilizado pela família até o avião.
O Gulfstream LV-JQW decolou às 0h21 da quarta-feira, com destino inicial a Guayaquil, no Equador. A escala antecedeu a continuidade da viagem para os Estados Unidos, onde Flávio Bolsonaro pretendia permanecer.
Justiça argentina mantém apuração sobre recursos públicos
As revelações também provocaram questionamentos sobre a utilização de órgãos e funcionários argentinos em uma operação de transporte de um parlamentar estrangeiro submetido a medidas judiciais no país de origem.
A Justiça argentina analisou uma denúncia relativa à entrada e à saída de Flávio Bolsonaro e concluiu que os procedimentos migratórios não configuraram crime segundo a legislação local. O Ministério Público argentino, por sua vez, encaminhou para análise em Buenos Aires as suspeitas relacionadas ao possível emprego irregular de veículos oficiais, servidores e outros recursos públicos.

A investigação preliminar inclui pedidos de obtenção de fotografias e gravações do aeroporto de Puerto Iguazú, além da apuração sobre a participação de autoridades argentinas na organização do deslocamento.