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Ministro do TSE determina derrubada de informação falsa veiculada no canal 'Tropa do Flávio'

 


BRASÍLIA - O corregedor-geral do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cuêva, determinou a derrubada de um áudio com informação falsa publicado no canal de Whatasapp “Tropa do Flávio”. Na mensagem, o senador eleito Gustavo Gayer afirma que mesários teriam votado no presidente Luiz Inácio Lula da Silva por pessoas que não foram às urnas. Em seguida, convoca apoiadores para atuarem como “fiscais de urna”. A mentira foi divulgada às 11h43 desta sexta-feira, 23.
Na decisão, o magistrado determina que a Meta, dona do aplicativo, retire o conteúdo, estabelece multa de R$ 100 mil por hora em caso de descumprimento da decisão e cita a proximidade do pleito ao justificar a cobrança por celeridade.
“A divulgação dessa narrativa às vésperas do segundo turno, em ambiente de ampla circulação e acompanhada de estímulo expresso ao compartilhamento, evidencia risco concreto de propagação de desinformação sobre a regularidade dos trabalhos eleitorais”, diz a decisão.
A medida atende parcialmente a pedido da chapa de Lula, que defendeu a derrubada do canal. Villas Bôas Cuêva indeferiu esse pedido, por considerar medida drástica, mas ordenou a retirada do áudio. Também fez alertas de que, se novas informações forem veiculadas, o canal pode ser derrubado.
“Advirto que a persistência ou a reiteração das condutas ilícitas, inclusive mediante a divulgação de novos conteúdos que atentem contra a integridade do processo eleitoral, poderá ensejar a reavaliação das medidas ora adotadas e, presentes os respectivos pressupostos legais, a suspensão temporária do canal, nos termos do art. 33-G da Res.-TSE nº 23.610/2019, independentemente da necessidade de prévia adoção de outras providências.”
A mensagem de Gayer convocava os apoiadores do senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à presidência.
“Eu peço para que vocês que estão aqui na tropa do Flávio se cadastrem como fiscais de urna [...] Se nós tivermos, dois milhões de fiscais espalhados pelo Brasil, nós podemos garantir que não vai ter mesário votando no lula depois das cinco horas”, diz o áudio.

Logo depois, foi enviado um link para uma página chamada “Fiscais do PL”, em que os apoiadores podem se voluntariar na iniciativa. Para isso, preenchem nome e dados pessoais, como telefone e CPF.

Resposta pra "miliciano" disse Lula

 

Lula responde a Flávio por chamá-lo de 9 dedos: Quantas pessoas sofreram acidentes de trabalho no país?
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reagiu duramente a uma provocação de Flávio Bolsonaro (PL) durante o debate da TV Globo, nesta sexta-feira (23), após o adversário fazer uma referência aos seus nove dedos.
Lula perdeu o dedo mínimo da mão esquerda em um acidente de trabalho, quando era operário metalúrgico. Ao ouvir a provocação, o presidente exigiu desculpas do candidato do PL e relembrou as circunstâncias do acidente.
“Não vou permitir que um miliciano me chame de nove dedos”, disparou Lula.
O presidente afirmou que trabalhou desde jovem e destacou que acidentes semelhantes fazem parte da realidade de milhares de trabalhadores brasileiros.
“Eu trabalhei a vida toda e me acidentei. Eu era menor de idade. Muitos trabalhadores se acidentam”, declarou.
Na sequência, Lula voltou a atacar Flávio Bolsonaro, criticando sua postura e sua trajetória política.
“Não posso admitir que um grã-fino, de prática política duvidosa, me chame de nove dedos”, afirmou.

O episódio provocou um confronto direto entre os dois candidatos, com Lula transformando a referência à sua condição física em uma crítica à postura do adversário diante dos trabalhadores.

Gil do Vigor rebate vídeo de Nikolas Ferreira sobre Nordeste: “Produzimos ciência”

 


O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) passou dias anunciando a publicação de um vídeo, divulgado na última terça-feira (20), que seria uma espécie de “bala de prata” contra a candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
No entanto, a produção acabou provocando uma série de controvérsias. A primeira envolveu o uso não autorizado de uma música do cantor Rubel, o que levou à retirada do áudio do vídeo pelas plataformas digitais.
A segunda polêmica ganhou proporções ainda maiores. O conteúdo, que aborda a situação do Nordeste, provocou revolta entre moradores da região, que acusaram o parlamentar mineiro de reproduzir preconceitos e estereótipos antigos sobre a população nordestina.
A repercussão negativa também atingiu a campanha de Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula no segundo turno das eleições presidenciais.
A controvérsia se intensificou após a divulgação de imagens dos bastidores da gravação, que levantaram suspeitas de que participantes teriam sido orientados a simular situações de sofrimento diante das câmeras.
Diante das críticas, integrantes da campanha de Flávio Bolsonaro passaram a demonstrar preocupação com a possibilidade de o vídeo produzir o efeito contrário ao pretendido e afastar eleitores do candidato do PL.
Em uma disputa presidencial de empate entre os dois candidatos, a reação do eleitorado nordestino pode ter peso crucial no resultado das urnas.
Gil do Vigor rebate Nikolas Ferreira: “O Nordeste produz ciência”
A publicação de Nikolas Ferreira também provocou uma onda de reações nas redes sociais. Moradores de diferentes estados nordestinos divulgaram vídeos para contestar a representação da região e destacar os avanços registrados nas últimas duas décadas.
Entre os que se manifestaram está o economista e ex-participante do Big Brother Brasil Gil do Vigor, natural de Pernambuco.
Em um vídeo publicado nas redes sociais, Gil destacou a contribuição do Nordeste para a produção científica, a pesquisa e o desenvolvimento tecnológico do país.
O ex-BBB também criticou a insistência em retratar a região exclusivamente a partir de suas dificuldades sociais, sem reconhecer as conquistas e a capacidade de sua população.
“O Nordeste produz ciência, pesquisa, tecnologia, entendeu? Que são reconhecidos internacionalmente. E aí parece que as pessoas não falam sobre isso, talvez porque seja mais vantajoso falar sobre o Nordeste nesse lugar. E não tô falando que não tem que melhorar. Temos que melhorar o Nordeste, assim como todo o Brasil tem muita coisa a melhorar. Gente, mas a gente quer ser reconhecido pelo nosso poder! Queremos ser reconhecidos como um povo que trabalha, que estuda, que desenvolve, não sempre nesse lugar, tá?”

Exército de Lula: Folha e Estadão reconhecem que Nunes Marques e Mendonça usam TSE como “arma de censura”

 


Parte da aliança midiática que se aglutinou em torno de Flávio Bolsonaro (PL), Folha de S.Paulo e Estadão reconheceram, em editoriais publicados nesta sexta-feira (23), que Kássio Nunes Marques e André Mendonça, bolsonaristas que atuam como presidente e vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), estão usando a corte como “arma de censura” contra o Exército de Lula, grupo de WhatsApp criado por André Janones (Rede-MG), que aglutina mais de 8,7 milhões de apoiadores do presidente.
A Folha, em texto intitulado “Kassio e Mendonça enxergam TSE como arma de censura”, afirma que os dois ministros alçados às cortes superiores por Jair Bolsonaro (PL) “fizeram circular minuta de resolução que teria como principal alvo o canal ‘Exército do Lula'”.
“Após a divulgação do plano, Kassio declarou-se contrário a mudanças de última hora nas regras do pleito e atribuiu a autoria do texto a Mendonça. Este, por sua vez, negou que tenha sido iniciativa individual e afirmou que a proposta dependia de deliberação colegiada. Acrescentaram pusilanimidade ao despautério”, diz a Folha, em termo rebuscado para dizer que faltou coragem aos ministro de colocar o plano em prática.
O jornal da família Frias ainda reconhece que Nunes Marques já havia operado em conluio com a campanha de Flávio Bolsonaro, como esta Fórum denuncia desde que o ministro tomou posse no TSE.
“Kassio nem é neófito nesse mister. Neste mesmo mês, ele se dispôs a derrubar o canal de Janones sem que houvesse respaldo suficiente para as irregularidades alegadas. Sua decisão foi revertida pelo relator do caso, mas o dano estava feito, sobretudo para a imagem do TSE”, diz a Folha, que ressalta que a justiça eleitoral “precisa, mais do que nunca, abandonar sua pretensão de tutelar a opinião pública, de modo que os eleitores possam exercer plenamente o direito ao voto livre”.
Tentação em uma escolha muito difícil
Já o Estadão, que em 2018 se notabilizou pelo editorial “Uma escolha muito difícil” sobre a disputa entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad, fala em “tentação da censura” pelo TSE contra o Exército de Lula, mas ressalta que “a mera cogitação desse ato autoritário no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já é grave por si só”.
“O presidente da corte, Kassio Nunes Marques, disse ao Estadão ser contrário a “alterações de última hora” das regras eleitorais, de resto ocioso por vedação legal. Mas a tal minuta não foi para a lata do lixo, seu lugar. O gabinete de Mendonça informou que o texto segue em ‘discussão interna’. Não se pode condenar quem desconfie das intenções de Mendonça. O canal “Exército do Lula”, administrado pelo deputado André Janones (Rede-MG), já ultrapassou 8 milhões de inscritos, quatro vezes o tamanho do canal ‘Tropa do Flávio’, criado pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). Mendonça e Nunes Marques foram indicados ao Supremo Tribunal Federal (STF) por Jair Bolsonaro. E não é de agora que suas decisões no TSE favorecem escancaradamente a campanha de Flávio Bolsonaro (PL). O próprio ‘Exército do Lula’ chegou a ser suspenso por ordem de Nunes Marques, decisão depois revertida”, diz o texto.
Segundo o jornal, controlado pela família Mesquita sob a tutela da Faria Lima, “caso vingasse o desatino”, em relação à manobra dos ministros, “estaria escancarada a porta para o arbítrio togado”.

“Uma publicação sobre segurança pública, Bolsa Família ou o próprio TSE seria considerada “política”? A resposta ficaria sob o crivo de quem aplica a regra. Não há nada de objetivo ou impessoal nisso. É censura em estado puro”, diz o texto.

Lula venceu o debate da Globo, crava Lavareda

 

Veja análise
O cientista político Antonio Lavareda, presidente do Conselho Científico do Ipespe, fez uma análise detalhada do debate presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), realizado nesta sexta-feira (23) pela TV Globo, e apontou vitória do presidente no embate. O levantamento atribui a Lula notas superiores nos três últimos blocos e destaca o caso Ana Clara como o momento de maior impacto do presidente.
Na síntese da análise de Lavareda divulgada pelo jornalista Ricardo Noblat, Lula recebeu média de 7,8, contra 7,0 de Flávio. O senador teve uma pequena vantagem no primeiro bloco, mas Lula cresceu a partir do segundo e registrou sua maior diferença no quarto, quando recebeu nota 8,4, contra 6,3 do adversário.
Lavareda destacou especialmente a reação de Lula após começar o confronto demonstrando irritação e dificuldades para administrar o tempo. Segundo ele, o presidente passou a associar sua trajetória pessoal às políticas sociais implementadas em seus governos, além de apresentar realizações nas áreas de renda, crédito e educação.
O analista chamou atenção para dois episódios em que Lula cobrou explicações do adversário: a votação sobre licença-maternidade, que levou Flávio a reconhecer um erro, e o ataque capacitista dos “nove dedos”, pelo qual o senador acabou pedindo desculpas.
Caso Ana Clara colocou Flávio na defensiva
Para Lavareda, o momento mais forte de Lula foi a cobrança sobre a atuação de Flávio Bolsonaro na defesa de um policial militar acusado de matar Ana Clara, uma menina de cinco anos atingida por um disparo de fuzil em Niterói (RJ), em 2021.
A mãe da criança, Cristiane Gomes da Silva, estava na plateia do debate. Flávio, que havia integrado gratuitamente a defesa do policial, confundiu o nome da mãe com o da filha morta e insistiu na inocência do acusado.
“A pergunta sobre a defesa do policial acusado de atirar numa criança de cinco anos colocou Flávio claramente na defensiva. Lula combinou autoridade, experiência e proteção às vítimas”, avaliou Lavareda em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo.
O pesquisador também apontou que o senador perdeu força pelo excesso de bordões, informações imprecisas, manifestações de deboche e falta de detalhamento da proposta de corte de gastos chamada de “tesouraço”.
Apesar das críticas, Lavareda reconheceu que Flávio apresentou argumentos de fácil circulação nas redes sociais sobre preço dos alimentos, endividamento, juros e segurança pública, além de demonstrar mais disciplina do que no debate anterior, realizado pela Band.
Impacto eleitoral e reta final
Na avaliação do cientista político, Lula projetou experiência administrativa e associação com políticas públicas já executadas, enquanto Flávio transmitiu energia e capacidade de confronto, mas manteve uma postura mais próxima à de um candidato de oposição do que à de um chefe de Estado.
Lavareda também considerou que as reações ao debate podem ter impacto entre eleitores indecisos, mulheres e pessoas menos identificadas com posições partidárias, especialmente aquelas sensíveis a programas sociais e à proteção de vítimas.
O pesquisador, entretanto, fez uma ressalva importante: o desempenho em um único debate não permite afirmar que houve uma mudança nas intenções de voto ou uma virada eleitoral. Segundo ele, a consolidação das preferências e o comparecimento às urnas continuam sendo decisivos.

A análise foi divulgada na véspera do segundo turno, marcado para este domingo (25).

Opinião de observador da cena.



O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) saiu em vantagem do último debate antes do segundo turno, realizado pela TV Globo nesta sexta-feira (23/10). Depois de um desempenho abaixo do esperado na Band, Lula conseguiu transformar ataques de Flávio Bolsonaro (PL) em munição contra o senador.
O momento mais desgastante para Flávio foi o caso Ana Clara, menina de 5 anos morta por um tiro de fuzil em Niterói, em 2021. Diante da mãe da criança, o senador voltou a defender o policial acusado, de quem foi advogado, afirmou que houve tiroteio, versão contestada pela acusação, e chamou a mãe pelo nome da filha, na mesma noite em que prometeu cuidar das mulheres. Antes, já havia dito que Lula “tira com nove dedos”, fala vista como capacitista.
Lula também devolveu acusações. Chamado de pai do tigrinho, disse que o pai das bets é Jair Bolsonaro, cujo governo não regulamentou o setor, e que Flávio é o irmão, em referência à suspeita de que o senador teria sido sócio oculto de uma casa de apostas, o que ele nega. O presidente citou ainda a denúncia de Richarlison sobre a perda de uma ilha em Angra dos Reis, e Flávio disse não ter relação com o caso. Na segurança, Lula acusou o adversário de querer entregar o país a Donald Trump ao defender a classificação de facções como terroristas.
Flávio deixou sem resposta a pergunta sobre ter chamado o Bolsa Família de bolsa-farelo e fez afirmações sem contexto sobre o Comando Vermelho, a falta de dipirona e as Santas Casas.
O senador, porém, manteve o foco em segurança, endividamento e custo de vida, temas de insatisfação com o governo, e acertou ao dizer que o governo Bolsonaro reduziu de 14 mil para 8 mil as obras inacabadas, segundo checagem do g1. Já a crítica à Caixa perdeu força porque o banco é comandado por um indicado de Arthur Lira, do PP, partido que anunciou apoio incondicional a Flávio. Se o debate vai pesar nas urnas, a resposta vem no domingo (25).
➡️ A reportagem completa está na coluna Matheus Leitão. Basta acessar metropoles.com
🤳 Reprodução/ TV Globo

O dia

 


Outubro é mês difícil de terminar. São 31 dias. Muitos feriados e este, de 2026, danado de arrumação. Eleições gerais e bode amarrado em barco de bombordo estreito, proa fina e popa larga. Beira de fim de ano, outubro tem floração de ipê e casamento de raposa, de sol e chuva.
Outubro é rosa pra mulher. Um dedo de azul pro homem e preto e branco pra quem sonha o colorido de pastorar a vida, quando esta cobra lucidez e consequências.

A insanidade em nome do poder

 


ISTO É LOUCURA, MAS ACONTECEU! EDUARDO BOLSONARO DEFENDEU INVASÃO DO BRASIL PELOS ESTADOS UNIDOS SE FLSVIO BOLSONARO PERDER AS ELEIÇÕES NO DOMINGO.

O deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL) afirmou, em entrevista a um podcast nos Estados Unidos nesta sexta, 23, que é preciso “mandar os fuzileiros navais” caso o irmão, o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), perca a eleição neste segundo turno. A declaração de Eduardo Bolsonaro foi dada ao vivo, no estúdio, durante o podcast “Louder with Crowder”, apresentado pelo comentarista político Steven Crowder. Eduardo Bolsonaro, ao ser questionado por um espectador no chat sobre o que a família faria diante de uma eventual derrota, respondeu em tom de brincadeira: “Mandar os fuzileiros navais”, disse rindo, em seguida. O apresentador norte-americano, Steven Crowder, porém, levou a fala a sério e comentou a possibilidade de uma reação política da esquerda brasileira:
— Haveria gente na esquerda furiosa com isso. Gente nas ruas dizendo que isso é construção de nação, que somos um império do mal. Mas esse é um exemplo perfeito do que está errado. Alguma coisa tem que ser feita, a não ser que vocês consigam fazer um ataque de helicóptero para arrancar os telhados da prisão.
Em seguida, Eduardo Bolsonaro defendeu que o irmão fuja e deixe o Brasil se perder a disputa. Alega que Flávio ficaria sujeito a investigações após deixar o Senado e perder a imunidade parlamentar:
— Teve uma parte do debate em que o Lula disse: olha, você vai perder a eleição. No ano que vem você não vai mais ser senador. Não vai ter imunidade. E nós vamos investigar tudo sobre você. Lula disse isso abertamente, no meio do debate. Ele estava ameaçando meu irmão.

Bom dia

                                                             O Poder da mensagem


Lavareda: Lula recuperou a competitividade e pode vencer

 

Antonio Lavareda
Cientista político traça paralelo com a virada histórica de 2014, mas alerta: o combate à abstenção dos mais pobres é a chave para a vitória.
Cientista político Antonio Lavareda afirma que desempenho de Flávio Bolsonaro no primeiro turno não representou disparada sobre Lula e destaca peso da abstenção no resultado
247 – A disputa pelo Palácio do Planalto no segundo turno ganhou novos contornos e entrou em uma fase de alta voltagem política. Em entrevista concedida aos jornalistas da TV 247, o cientista político e presidente do conselho do IPESP, Antônio Lavareda, afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recuperou a competitividade eleitoral após um início adverso no pós-primeiro turno e abriu uma rota concreta para uma possível virada contra Flávio Bolsonaro.
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Segundo o especialista, o cenário que se desenhava na semana anterior — quando as simulações e levantamentos apontavam uma desvantagem de 4 a 6 pontos percentuais, deixando a candidatura governista sob forte pressão — começou a se transformar com a entrada de novos atores na campanha, a mobilização da juventude e a reação do eleitorado nas redes sociais e nas ruas.
O fôlego da reação e o precedente de 2014
Lavareda explicou que, embora Flávio Bolsonaro ainda mantenha certo favoritismo em razão da vantagem consolidada no primeiro turno, o movimento captado pelas pesquisas mais recentes (como Nexos, PoderData e Quest) sinaliza uma curva de estreitamento consistente.
Para ilustrar o momento, o analista resgatou a trajetória da eleição presidencial de 2014, quando Dilma Rousseff conseguiu superar Aécio Neves nos momentos decisivos da reta final:
“Lula recuperou a competitividade e abre a possibilidade de nós repetirmos a linha do tempo do segundo turno de 2014. Naquela eleição, Dilma só conseguiu ultrapassar Aécio Neves por volta de 20 de outubro, virando uma marca de desvantagem que depois se consolidou na reta de chegada. A pesquisa alimenta a expectativa de assistirmos a algo semelhante.”
De acordo com o cientista político, nas disputas presidenciais brasileiras em que o vencedor do primeiro turno largou na frente no segundo, a tendência histórica costuma ser de estabilidade. Caso Lula consolide essa trajetória de alta, rompe-se a rigidez tradicional das disputas anteriores e recoloca-se o pleito sob forte imprevisibilidade matemática.
O desafio da abstenção: a “esfinge” que penaliza a base de menor renda
Se a aproximação nas pesquisas renovou o ânimo das forças progressistas, Lavareda fez questão de emitir um alerta técnico rigoroso: um eventual empate numérico na véspera da votação não garante a vitória de Lula. Pelo contrário, tende a favorecer o adversário em virtude da taxa diferencial de comparecimento às urnas.
O cientista político detalhou que o chamado “traslado” — a conversão da intenção de voto declarada em comparecimento real no dia do pleito — é sensivelmente mais custoso e volátil entre os estratos de menor renda e escolaridade, base central do voto lulista:
Correlação com escolaridade: Lavareda destacou que o coeficiente de correlação entre escolaridade e abstenção chega a quase 0,97. Entre cidadãos no primeiro degrau educacional (analfabetos ou sem o ensino fundamental), a abstenção chegou a superar os 50% em levantamentos recentes, enquanto entre aqueles com curso superior completo o índice recua para perto de 12%.
Custos materiais e familiares: O ato de votar envolve custos de deslocamento, logística e barreiras cotidianas, atingindo diretamente mulheres chefes de família monoparentais e trabalhadores informais. Medidas locais, como a abertura de creches públicas no dia da eleição, foram citadas pelo pesquisador como exemplos de iniciativas práticas indispensáveis para mitigar o problema.
Margem necessária: Enquanto o eleitorado de Flávio Bolsonaro apresenta perdas sensivelmente menores de comparecimento (em torno de 5 pontos frente às pesquisas), a perda histórica de candidaturas como a de Lula para a abstenção pode girar em torno de 8 pontos. Logo, para triunfar, Lula precisa abrir uma margem de segurança nas pesquisas que compense essa defasagem na urna. Em caso de vitória, Lavareda vislumbra um desfecho apertado, no que definiu como uma “distância peruana” — aludindo à margem milimétrica de décimos que definiu eleições presidenciais no Peru.
Debates e a agenda econômica do trabalhador
Questionado sobre os vetores que ainda podem movimentar eleitores até o domingo decisivo, Antônio Lavareda pontuou dois fatores cruciais: o papel dos confrontos diretos na televisão e o peso da agenda social e econômica.

A dinâmica dos debates: Com a taxa de consolidação de voto superando a casa dos 90%, confrontos realizados mais longe do dia da eleição (como o debate na Band) tendem a exercer um impacto relativo maior do que os da última semana (como o da TV Globo), a não ser que surja um fato imprevisível ou de repercussão extraordinária capaz de furar as bolhas já cristalizadas.
Pautas de impacto imediato (Escala 6×1 e MEIs): A tramitação de pautas de forte apelo trabalhista, a exemplo da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) pelo fim da escala 6×1 de trabalho e de pacotes voltados a microempreendedores individuais (MEIs), possui capacidade de dialogar diretamente com o cotidiano das famílias e atrair parcelas de indecisos:
“O fim da jornada 6×1 é uma medida com amplo apoio social que mexe na vida de dezenas de milhões de famílias. Ver a perspectiva de mais um dia de descanso ou flexibilidade é transformador. Medidas distributivas e que aliviam o bolso têm poder real de mobilização, como a história das eleições brasileiras comprova.”