Lula ignorou sugestão de Camilo Santana para adiar votação de Messias
Ex-ministro da Educação e coordenador da campanha alertou para risco de derrota um dia antes da sabatina
O senador Camilo Santana (PT-CE), ex-ministro da Educação, sugeriu diretamente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) adiar a votação da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao STF (Supremo Tribunal Federal).
O alerta, segundo relatos feitos à CNN, foi feito na terça-feira (28), um dia antes da votação.
O argumento apresentado por Camilo, um dos coordenadores da pré-campanha de reeleição de Lula, era de que não havia margem de segurança para garantir a aprovação de Messias no Senado.
Lula ignorou a sugestão e manteve a indicação, mesmo diante do cenário adverso apontado pelo ex-ministro.
Fontes do governo veem derrota de Messias como “hecatombe”
Durante a sabatina na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), Camilo Santana descreveu Messias como um "um homem de fé, cristão, humano, de família, justo" e que atenderia "todos os requisitos constitucionais e legais" para assumir o cargo de ministro do Supremo.
O presidente, segundo aliados, já previa uma batalha difícil no Senado, diante da resistência do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), mas apostava em uma aprovação, ainda que apertada.
Nos dias que antecederam a votação, governistas chegaram a falar em até 50 votos favoráveis à indicação. Na segunda-feira, o relator do caso, senador Weverton Rocha (PDT-MA), disse à CNN que trabalhava com um piso de 44 votos.
Nesta quarta-feira, porém, o clima na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) se deteriorou ao longo do dia. Ao final, aliados de Messias já projetavam uma aprovação no limite mínimo, de 41 votos.
O resultado no plenário, no entanto, foi bem diferente do esperado: Messias recebeu 34 votos favoráveis e 42 contrários. A rejeição de um indicado ao STF não ocorria havia 132 anos.
Após a rejeição de Messias no plenário, o ex-ministro da Educação disse que o momento" exige reflexão responsável" e disse que o advogado-geral da União permanece com a trajetória " marcada pela ética, pelo preparo e pelo compromisso com o serviço público."
"O movimento acende um sinal de alerta sobre o nível de politização em processos que deveriam ser guiados, acima de tudo, pelo mérito e interesses do país. A tensão entre os Poderes e um ambiente de insegurança institucional não contribuem em nada para o nosso desenvolvimento social e econômico, tampouco para o fortalecimento da democracia do Brasil", escreveu o senador nas redes sociais.
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