Pois bem. Já contei. Faz tempo. Quem não viu, lê agora.
Numa manhã de segunda ou terça feira, voltava da posse de um presidente da república em Santiago, no Chile. A cadeira marcada para meu vôo era 1A. Bem na frente.O avião deveria ser um 737 ou um Air Bus 320, algo assim. Na chamada para o embarque achei esquisito que a gente fosse de ônibus atéo avião que estava o que chamam em aviação de remoto, isto é, fora dos fingers, aquelas passarelas móveis de embarque. Era muito cedo da manhã, mas havia pessoas fotografando alguém que, no meu sono não deu nem pra olhar o que estava acontecendo. No avião, os primeiros passageiros eram orientados para a primeira classe. 1A, meu assento, era lá. Por alguma razão a companhia aérea havia posto naquela manhã um avião bem maior, possivelmente um A330, ou o correspondente a Latam. Embarcados, ví a meu lado na cadeira 2A, uma mocinha pequena, muito clarinha, sem maquiagem, cabelos soltos e roupas absolutamente normais. Nosso vôo era Santiago-São Paulo. Do outro lado, na cabine, estavam um senhor gordo, forte, e um jovem negro, atlético, com ar de jogador de futebol. A passageira a meu lado fez um leve aceno de cabeça ao sentar, no que correspondi com um bom dia quase inaudivel,lembro bem. Depois do café, servido com uma tacinha de champanhe, repetida, claro, Puxei um jornal e fui às notícias. Vi que a mocinha a meu lado só virou a cabeça pro lado e papocou num sono que pareceu profundo até perto do pouso. Ainda levantei para o toalete, tipo os asseios da manhã. Na volta ao lugar a mocinha já estava desperta e nos cumprimentamos um sorriso formal, daqueles de quem nunca viu um ao outro. Pouso, prioridade para quem estava na primeira classe saire lá fomos rampa acima. Lado a lado. -Pareceu que fez bom voo, disse eu pra mocinha. -Foi. Dormi todo o tempo,respondeu. Vai pra onde, perguntei. -Fico aqui dois dias. E você, perguntou ela gentilmente. - Vou pra Fortaleza Volto de trabalho. Precisa passar uns dias lá, brinquei. -Vou trabalhar aqui, disse ela com um leve sorriso. E nos despedimos com um aceno e um leve bo dia. Como iria fazer minha conexão pra casa, pra Fortaleza, fui puxado pela placa indicativa de "Conexões". Olhando de lado, vi um movimento diferente. Um mundaréu de gente fotografando a mocinha minha parceira de viagem. Perguntei pra atendente da companhia aérea que dava mais ateção a ela que a mim que era seu passageiro: Quem é? - Com um olhar de incredulidade me respondeu ; É a Shakira!!! Caí em silêncio. Dormi um tempão com a Shakira nem saber quem era.
Nada como um idoso ignorante pra não incomodar as pessoas.
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