O Tribunal de Contas do DF encontrou R$ 5,5 bilhões de problema nas contas de Ibaneis Rocha. A reportagem é do Estadão, publicada esta semana, mas o que os auditores descreveram por dentro é mais grave do que qualquer total.
O rombo não é um erro de caixa. É uma arquitetura. A equipe técnica do TCDF identificou quatro camadas de danos: um déficit primário de R$ 821 milhões em 2025, ou seja, o governo gastou mais do que arrecadou no ano passado; R$ 1,7 bilhão em Restos a Pagar, despesas do ano passado que não foram quitadas e agora disputam espaço com as contas de 2026; R$ 1,5 bilhão em Despesas de Anos Anteriores, categoria particularmente grave porque se trata de serviços prestados cujas notas nem chegaram a ser emitidas; e mais R$ 1,5 bilhão de pressão sobre o Iprev-DF, o instituto de previdência dos servidores, que diz não ter dinheiro para pagar aposentadorias este ano.
Os técnicos batizaram o mecanismo de "rolagem de déficit assistido". É uma expressão burocrática para uma prática simples: empurrar dívida para a frente, cumprir as regras no papel e deixar a solvência real do orçamento se deteriorar em silêncio. O GDF aparecia saudável nas planilhas enquanto fornecedores esperavam pagamento sem sequer ter emitido nota. A conta ficou para quem viesse depois.
Quem veio depois foi Celina Leão. E o secretário de Economia que ela nomeou, Valdivino de Oliveira, empossado em março, não poupou o antecessor. Usou uma expressão em francês para definir a gestão Ibaneis: laissez-faire. Deixa fazer. A Secretaria de Economia afirma que está trabalhando para reequilibrar o orçamento e promete superávit em agosto.
O presidente do TCDF, conselheiro Manoel de Andrade, foi mais direto ainda. Chamou a situação de "descuido, desleixo" e disse que pretende levar as contas do ex-governador a julgamento até julho. Afirmou que já rejeitou contas antes e que o tribunal tem missão a cumprir. A rejeição das contas, em último caso, significa inelegibilidade, e julho chega antes do calendário eleitoral de 2026 engolir tudo.
Ibaneis é pré-candidato ao Senado. O rombo tem data de julgamento. E o silêncio do ex-governador é a única resposta disponível.
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