Preso por elo com o PCC, o empresário Adair Antônio de Freitas Meira é ligado à Fundação Pró-Cerrado, entidade que mantém contratos ativos que somam R$ 141.509.831,63 com o governo de Goiás. A teia de acordos milionários, firmada entre 2021 e 2025, foi revelada em reportagem do UOL nesta segunda-feira (11).
Adair Meira é um dos alvos centrais da Operação Contaminatio, conduzida pela Polícia Civil de São Paulo. A investigação apura o uso de empresas e entidades ligadas ao empresário para lavar recursos ilícitos associados a operadores financeiros da facção criminosa. A defesa do empresário nega de forma veemente qualquer irregularidade ou ligação com o PCC.
Apesar do avanço das investigações em São Paulo, o fluxo de dinheiro público em Goiás não foi interrompido. Um cruzamento de dados no Diário Oficial e nos sistemas de transparência do Estado mostra que a Fundação Pró-Cerrado segue como uma robusta prestadora de serviços terceirizados, fornecendo desde apoio técnico especializado até motoristas, auxiliares administrativos e operadores de call center.
O rastro do dinheiro: novos contratos e aditivos até 2026
O volume financeiro não se sustenta apenas em contratos antigos. Documentos oficiais da Secretaria de Estado da Economia de Goiás comprovam que a Fundação Pró-Cerrado assinou acordos recentes com a administração pública.
O caso mais emblemático é o Contrato 039/2025. Com valor total de R$ 28.094.459,04, o documento prevê o fornecimento de mão de obra exclusiva para apoio técnico especializado de nível superior. A assinatura eletrônica ocorreu em 14 de novembro de 2025, chancelada pelo então secretário de Estado da Economia, Francisco Sérvulo Freire Nogueira.
Além das novas licitações, uma série de termos aditivos garante a permanência da fundação nos cofres goianos até o ano que vem:
Motoristas: O 5º termo aditivo ao Contrato 028/2021 estendeu a vigência até 29 de outubro de 2026, injetando mais R$ 4.137.908,16 na entidade.
Teleatendimento: O 4º termo aditivo ao Contrato 039/2022 garantiu serviços de call center até 30 de julho de 2026, no valor de R$ 3.413.113,92.
Auxiliares Administrativos: O 7º termo aditivo ao Contrato 016/2021 prorrogou os serviços até 31 de agosto de 2026, com o valor reajustado para R$ 23.196.719,56.
O elo oficial entre o preso por elo com o PCC e a Fundação
A ligação de Adair Meira com a entidade contratada pelo governo goiano é pública e notória. A própria Fundação Pró-Cerrado o exibe em seu site institucional como “Diretor-Secretário Geral” e instituidor da organização nos anos 1990.
O trânsito do empresário nos corredores do poder também está documentado. Em 2021, o portal oficial da Secretaria da Retomada registrou a presença de Meira, atuando como secretário-geral da fundação, durante o lançamento do programa “Aprendiz do Futuro”. No evento, o então governador Ronaldo Caiado (União Brasil) assinou contratos e entregou materiais de trabalho ao lado de representantes da entidade.
Outro Lado: Caiado nega responsabilidade direta; operação foca em lavagem
Procurado para comentar a manutenção dos contratos de sua gestão com a empresa do investigado, o ex-governador Ronaldo Caiado enviou nota ao UOL em que afasta sua responsabilidade direta sobre os acordos, transferindo o peso da fiscalização para a Controladoria-Geral do Estado (CGE) e procuradorias setoriais.
“Por que eu deveria pedir uma investigação contra uma empresa que ganhou uma concorrência pública se não existia nenhuma denúncia contra ela quando eu era governador?”, questionou Caiado no documento.
O ex-governador, que deixou o cargo em 31 de março de 2026 para focar em sua pré-candidatura à Presidência da República antes, portanto, da deflagração da Operação Contaminatio, destacou que a relação da Fundação Pró-Cerrado com o Estado vem desde 2004. Caiado também pontuou que a empresa possui contratos com outros governos estaduais (como MG, RS, DF, TO e BA) e estatais federais, classificando os questionamentos à sua conduta pessoal como “inverdades” e tentativa de prejudicar seu projeto político nacional.
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