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Bom dia

 



A Copa do Mundo de 2026 nasce sob o signo do autoritarismo e da incerteza. O que deveria ser a celebração da convivência entre os povos, da diversidade cultural e do encontro entre nações vai se transformando no teatro da autocracia e da arrogância de Trump.

Os sinais são evidentes: a seleção do Irã recebeu autorizações estritas para permanecer nos Estados Unidos apenas durante o período estritamente necessário para a disputa de suas partidas, em um contexto de guerra. Seus torcedores também não podem ir à Copa. Um árbitro somali foi deportado, e um atleta iraquiano foi submetido a um longo interrogatório de sete horas em um aeroporto norte-americano, enquanto relatos de ameaças de deportação e de endurecimento dos controles de entrada passaram a preocupar delegações, jornalistas e torcedores de diversos países.
Esses acontecimentos fazem recordar outros momentos da história em que grandes eventos esportivos foram utilizados como instrumentos de manipulação política, a exemplo da Copa do Mundo de 1934, organizada pela Itália de Benito Mussolini. Estádios exibiam símbolos do fascismo, atletas eram pressionados a representar a grandeza do Estado italiano, e a vitória da seleção anfitriã foi explorada como demonstração da suposta superioridade fascista.
Poucos anos depois, os Jogos Olímpicos de Berlim de 1936 serviriam a propósito semelhante. O governo de Adolf Hitler utilizou o evento para projetar ao mundo uma imagem de ordem, prosperidade e poder. A grandiosidade da cerimônia, a arquitetura monumental e a sofisticada cobertura de propaganda procuravam legitimar internacionalmente um regime que já perseguia opositores políticos, restringia direitos civis e implementava políticas racistas. A histórica performance de Jesse Owens, atleta negro norte-americano que conquistou quatro medalhas de ouro, tornou-se um dos mais simbólicos gestos de resistência contra a narrativa da supremacia racial nazista.
A Copa do Mundo deveria ser um território de pontes, não de muros. Sua essência está na celebração da diversidade humana e na capacidade do futebol de aproximar povos separados por fronteiras, idiomas e culturas. Episódios de deportação, maus-tratos, interrogatórios seletivos e ameaças administrativas ocupam espaço no noticiário esportivo e preocupam quem ama o esporte.
A Copa do Mundo deveria ser um território de pontes, não de muros. Sua essência está na celebração da diversidade e na capacidade do futebol de aproximar povos separados por fronteiras, idiomas e culturas. Episódios de deportação, maus-tratos, interrogatórios seletivos e ameaças administrativas ocupam espaço no noticiário esportivo e preocupam quem ama o esporte.
Temos um assombroso passado pela frente?

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