Equilíbrio fiscal do Estado entrou na mira da pré-campanha de Ciro Gomes, cujo programa de governo é coordenado pelo deputado do União
O governador Elmano de Freitas (PT) e o deputado federal Mauro Benevides Filho (União) estão protagonizando um embate sobre a questão das contas públicas do Estado do Ceará, com troca de farpas entre os políticos.
A discussão começou na semana passada, quando Mauro apresentou a proposta inicial do plano de governo de Ciro Gomes (PSDB), pré-candidato ao Governo do Estado pela oposição. Na ocasião, o deputado - ex-secretário estadual da Fazenda - reforçou críticas ao governo Elmano sobre a situação fiscal do Ceará, falando em Estado "quebrado" e com acusações de aumento da dívida e redução de investimentos. Mauro deixou neste ano a base do PT no Ceará para se engajar na pré-campanha de Ciro, passando a coordenar o programa de governo do tucano.
Elmano rebateu as críticas e defendeu que Mauro "volte a estudar" e "abandone apenas a vontade de fazer política eleitoral". "Ele (Mauro) sabe que quando ele foi secretário da Fazenda o percentual da dívida correspondente à receita do Estado era 57%. E nós sabemos que a lei diz que pode chegar a 200%. Com ele era 57%, eu reduzi para 24,4%. Se com ele, com 57% não estava quebrado, como é que com 24% está? Como é que o Estado, com ele secretário da Fazenda, investiu em três anos R$ 6 bilhões e o atual governo em três anos investiu R$ 11 bilhões e está quebrado? Como é que o Estado está quebrado antecipando 13º, com as parcerias e obras que nós estamos fazendo?", questionou Elmano, durante coletiva em Nova Russas na terça-feira (23).
O governador disse ainda lamentar a atitude do ex-aliado. "Esperava dele mais seriedade no trato com os números e com os dados". Antes dessas declarações, Elmano já tinha postado um vídeo nas redes sociais comentando o assunto, sem citar Mauro Filho diretamente. O gestor e pré-candidato à reeleição reforçou que houve redução da dívida do Estado e aumento dos investimentos públicos na sua gestão.
"Em 2023, quando eu comecei estava em 53,1% a (dívida) consolidada e baixou para 48,4%. A (dívida) líquida que era 29,7% já baixou para 24,4%. Essa dívida é a menor dos últimos 15 anos do Estado do Ceará. (...) E melhor ainda, estamos aumentando o investimento público", argumentou Elmano. Mostrando gráficos da evolução dos investimentos desde 2003, o governador apontou que sua gestão apresenta o maior nível desde essa época. "Foi crescendo com o governador Cid (Gomes), com o governador Camilo (Santana) e nos três primeiros anos do nosso governo passa de R$ 11 bilhões os investimentos em creche, hospital, escola, estrada".
Elmano também destacou que o Ceará possui Capag A+, nota máxima de saúde fiscal conferida pela União, condição apresentada por apenas outros seis estados do país. Outras figuras ligadas ao governo também reagiram a Mauro, como o secretário estadual da Fazenda, Fabrízio Gomes, e o ex-chefe da Casa Civil do Ceará, Chagas Vieira, que acusou o opositor de "desonestidade intelectual".
Já nessa quarta-feira (24) Mauro Filho voltou a falar do assunto e respondeu o governador. O coordenador de Ciro foi ao Café da Oposição na Assembleia Legislativa do Ceará (Alece), encontro promovido pelos deputados estaduais opositores de Elmano. Mauro disse que "Talvez ele (Elmano) esteja com ciúme da minha formação, da minha projeção com os números, do trato com os números, coisa que ele não sabe fazer".
Entre os números apresentados, o deputado apontou para um déficit no sistema estadual de previdência de R$ 11 bilhões, entre 2027 e 2030; déficit de R$ 2,3 bilhões em 2026 segundo a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e outro déficit de R$ 832 milhões em 2025, que teria encerrado um ciclo de décadas de saldo positivo.
Mauro disse que chegou a esses dados com base em fontes oficiais, do próprio governo estadual, e disse que nenhum deles foi contestado. "O investimento que estão falando é muito alto, mas era 15% em 2018, 11% em 2022, 10% em 2023. O Estado, durante seis anos, era o de maior investimento do Brasil e perdeu essa posição. Quando o professor Mauro Filho estava lá, era o maior do Brasil", disse sobre os investimentos estaduais.
Por Igor Magalhães da editoria de política do jornal OEstadoCe
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