Diante de um cenário de disputa acirrada, marqueteiros com atuação no Ceará apontam estratégias para candidatos e eleitores ficarem atentos
Conseguir equilíbrio entre presença nas redes sociais e nas ruas, conectar-se com as pessoas, apresentar trabalho e soluções às queixas da população. Esses são alguns dos desafios que candidatos têm pela frente se quiserem conquistar os eleitores em 2026. É o que apontam marqueteiros consultados pelo O Estado CE e com atuação junto a pré-candidatos no Ceará.
A campanha eleitoral inicia oficialmente apenas em meados de agosto, com a liberação da propaganda eleitoral. Na prática, no entanto, os pré-candidatos já se mobilizam dentro das possibilidades permitidas no período da pré-campanha.
Serginho Aragão faz uma distinção entre aqueles que ocupam ou não cargos eletivos atualmente. Se para os primeiros essa já é a hora de começar a fazer a "prestação de contas", mostrar trabalho, os outros precisam fazer com que os possíveis eleitores tomem conhecimento de sua pré-candidatura.
"Nada melhor do que prestar contas de modo que ao iniciar a campanha venham novas 'promessas' sempre no intuito de fazer com que a população enxergue naquele candidato alguém capaz de implementar aquilo que em campanha foi dito. Para aqueles candidatos que por sua vez estão buscando um cargo que ainda não ocupam, o grande desafio nesse momento é mostrar que são pré-candidatos e apresentar à população que você está no pleito, nesse caso, como pré-candidato e depois como candidato", explica o profissional de Marketing Político.
Ele também aponta a necessidade de conectar-se com os eleitores de tal modo a se opor à ideia de políticos como uma "casta superior". "Não basta apenas parecer um candidato que é simples, que não tem regalias, que não tem vantagens, que não tem caras crachás, mas que seja de fato um candidato que o eleitor o enxergue como um dos seus. Qualquer candidato percebido pelo cidadão como ‘gente da gente’ passa a ter uma vantagem natural por identificação".
OLHO: “Nos últimos anos, muitos candidatos estão preocupados mais com o algoritmo para ganhar curtidas e visualizações e esquecendo o principal, que é o seu eleitor” - Harley Dias, estrategista político
Redes Sociais
Outro ponto que já se tornou central no processo eleitoral nos últimos anos é o uso das redes sociais. Se por um lado esse canal de comunicação passou a ser indispensável e estratégico, os especialistas também alertam que é preciso cautela em relação a essas plataformas.
O estrategista político Harley Dias defende que o pré-candidato ou candidato não pode focar no algoritmo das redes e esquecer daquilo que de fato precisa estar no seu foco: o eleitor. "O candidato tem que entender que ele tem que trabalhar para o eleitor, nunca para o algoritmo, nunca para visualizações e curtidas. Então o candidato tem que ter clareza do seu conteúdo. O conteúdo do candidato tem que ter consistência, tem que ser verdadeiro", afirma, reforçando o desafio também de mostrar qual o seu diferencial na comunicação com os potenciais eleitores.
Harley critica a tentativa de alguns políticos e/ou candidatos em se tornarem "blogueiros" ou "influenciadores", levando em conta que os eleitores buscam alguém que ofereça resolução de seus problemas cotidianos.
"O candidato que mostrar que é um pouco diferente dos demais vai estar um passo à frente. E se ele conseguir gerar seus conteúdos, tanto no meio digital como na rádio, na TV, na internet, de forma consistente, clara e verdadeira, ele vai dar, sim, um passo à frente dos concorrentes".
Sobre o tema, Serginho Aragão acrescenta que, além de formularem soluções aos problemas dos eleitores, os candidatos precisam saber como comunicar isso. Com críticas às chamadas "trends", "dancinhas" e outros formatos virais, o especialista afirma que hoje é mais difícil repassar mensagens mais profundas em um cenário em que a comunicação é cada vez mais simplificada ou "superficial".
"Há que se dizer que essa dificuldade se dá porque a sociedade está em um nível de superficialidade cada vez mais elevado e desta forma fica um pouco mais complicado passar mensagens mais profundas e a verdade é que um plano de governo de qualquer candidatura necessita de certa profundidade. Então, como passar a mensagem que necessita ser complexa para um eleitor que deseja cada vez mais mensagens superficiais? Essa é uma equação que aqueles que souberem como adaptá-la e como adequar essas mensagens passarão a ter uma certa vantagem".
Do ponto de vista do eleitor, Aragão menciona que será um desafio lidar, como já ocorreu nas últimas eleições no país, com a disseminação de conteúdos gerados por Inteligência Artificial (IA) e fake News.
"A partir deste ano o uso de materiais criados com Inteligência Artificial vai plantar no eleitor a necessidade de um discernimento para compreender aquilo que é verdadeiro daquilo que é falso. Com o avanço dessas tecnologias a possibilidade de vídeos, imagens e criações diversas serem feitas sem o compromisso ou a necessidade com a verdade poderão enganar muitas pessoas que não tiverem essa semente do discernimento plantadas em si. Então, esse é o principal desafio do eleitor: saber o que é verdade e o que é mentira".
OLHO: “Se o eleitor não estiver muito atento, ele vai ser enganado vendo uma informação criada por IA” - Serginho Aragão, profissional do Marketing Político
Polarização
Dentro do contexto de polarização política, Harley Dias menciona ainda outro desafio ao candidato que irá disputar cargos que exigem uma alta quantidade de votos. Enquanto pode haver candidatos a cargos proporcionais, por exemplo, que se elegem com apoio de determinadas bolhas sociais, outros que vão pleitear cargos majoritários, como de presidente ou governador, precisam conquistar eleitores que não necessariamente se identificam já de cara com seu nome ou sua mensagem. Será preciso construir uma estratégia para "furar a bolha".
"O candidato que conseguir chegar à frente, independente se é de esquerda ou de direita, ele tem que furar sua bolha e conseguir conquistar aquele eleitor indeciso que não é nem de direita nem de esquerda. Ele é um eleitor que quer o melhor para ele. Então ele não vai votar pelo coração, ele vai votar pela razão. 'Eu acho esse candidato melhor porque tem as melhores propostas, então vou votar nele'. Furou a bolha, fica mais fácil chegar à vitória".
Por Igor Magalhães da editoria de politica do jornal OEstadoCe
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