Ciro rebate críticas sobre aliados bolsonaristas e diz que base tem "uma ruma"
Pré-candidato da oposição falou em “critério” sobre escolha de aliados. União eleitoral entre ex-adversários é criticada por governistas
O pré-candidato ao Governo do Estado Ciro Gomes (PSDB) respondeu nesse domingo (31) às declarações do senador Camilo Santana (PT), que acusou o adversário de fazer aliança com bolsonaristas. Ciro admitiu que está aliado a bolsonaristas no estado dentro do grupo que formou para a disputa eleitoral, mas afirmou que tem "critério", defendeu os atuais aliados e mencionou políticos que já apoiaram o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) que hoje são aliados do PT no Ceará.
"O prefeito atual de Sobral (Oscar Rodrigues) era bolsonarista fanático, pesquise no Google. Tem uma ruma de bolsonarista. Júnior Mano foi eleito pelo PL. O Yuri do Paredão, vocês conhecem aqui de perto, foi eleito pelo PL e 'tá' tudo lá. Sabe qual é a diferença? É que os meus bolsonaristas são todos homens honrados, limpos. Nenhum deles é picareta nem está envolvido com a Polícia Federal", respondeu Ciro a jornalistas durante participação na tradicional Missa de Santo Antônio, em Barbalha, na Região do Cariri.
O pré-candidato comentou sobre o processo de construção de alianças com outras lideranças da oposição cearense, que estavam anteriormente "dispersas" e "fraturadas", na avaliação de Ciro.
"Procurei o Capitão Wagner, a quem eu tinha criticado duramente e de quem a gente tinha recebido críticas duras, e troquei uma ideia com ele. 'Capitão, você foi para a luta sozinho, disperso, sem apoio, sem nada. Vamos nos juntar para a gente tentar mudar esse quadro?'", comentou Ciro sobre o diálogo com o atual presidente estadual da Federação União Progressista. Ciro relembrou que não queria "nem ouvir falar" de Capitão Wagner por ele ser adversário do irmão Cid Gomes (PSB) e que já pediu desculpas publicamente ao ex-adversário.
"Procurei o Roberto Cláudio, que estava mais perto. 'Roberto, tu foi candidato, nós entramos aí, tu levou uma pisa grande'", continuou Ciro, fazendo referência à derrota do ex-prefeito de Fortaleza quando ficou em terceiro lugar na eleição do Governo do Estado de 2022.
"Aí surgiu na eleição de Fortaleza o André Fernandes, que quase ganha a eleição. Sem o meu apoio, eu votei no (José) Sarto", completou Ciro, mencionando o presidente do PL Ceará, deputado federal André Fernandes.
"Aí é o seguinte. Eu estou juntando um movimento que tem por objetivo livrar o Ceará desta ditadura corrupta que está implantada aqui e eu vou demonstrar isso ou não merecerei o respeito da população", afirmou Ciro.
Compõem a frente de oposição que apoia Ciro partidos como o PSDB, a União Progressista (UPB) e o PL. Presidente da federação formada por União Brasil e Partido Progressistas (PP) no estado, Capitão Wagner é pré-candidato ao Senado na chapa de Ciro. Do mesmo modo, o deputado estadual Alcides Fernandes (PL), pai de André Fernandes, é o indicado do PL para a outra vaga de senador da chapa do tucano.
Já Roberto Cláudio, aliado de longa data de Ciro, foi convidado para concorrer como vice-governador nessa chapa, mas também pode disputar mandato de deputado federal.
Missa de Santo Antônio
Os pré-candidatos a governador Ciro Gomes (PSDB) e Elmano de Freitas (PT), além do senador e ex-ministro Camilo Santana (PT) e aliados estiveram lado a lado durante a celebração da Missa de Santo Antônio, em Barbalha. A cerimônia, que abre a tradicional Festa do Pau da Bandeira, foi prestigiada pelas autoridades e lideranças políticas do estado da situação e da oposição, já em clima de pré-campanha.
Ciro, Elmano e Camilo sentaram nas primeiras fileiras da Igreja Matriz de Barbalha e acompanharam a cerimônia junto de políticos aliados, mas ao final do evento, houve registro de tumulto com gritos de apoiadores dos dois pré-candidatos e o diácono da Diocese do Crato, Rafhael Hernandez, interveio, dando uma bronca no público. "Povo de Deus, vocês não estão em casa, vocês estão na Casa de Deus. A Igreja não é lugar para politicagem. Peço em nome da Igreja, cessem por favor", pediu o sacerdote.
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