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Estação do metrô Luíza Távora vai
destruir a área de lazer da praça
As intervenções, mesmo sendo subterrâneas, interferirão no logradouro público e na movimentação. A praça passa a ser o local de entrada e saída de uma estação.
Por Elizabeth Rebouças
A praça Luiza Távora, também conhecida como praça da Ceart, localizada na avenida Santos Dumont, bairro Aldeota, está prestes a passar por uma transformação. Vai deixar de ser praça, local de lazer, para ser um espaço de entrada e saída de uma das estações do Metrô Leste de Fortaleza. A tradicional rotina diária de muitas pessoas como o assessor turístico, Wilame Maia: “Faço minha caminhada e ao final uma oração aos pés da santa para começar o dia” vai deixar de acontecer, assim como a comercialização de lanches, pipocas e sanduíches, o banho nas fontes, e o passeio das crianças de bicicleta ou a utilização do parquinho. Tudo isso vai ficar dentro do canteiro de obras a partir do fim de 2026 ou no início de 2027.
Toda essa retirada acontecerá para dar vida a expansão da Linha Leste do Metrô de Fortaleza que passará pela Sé, praça Luiza Távora e Virgílio Távora (Ver box localização). A Secretaria da Infraestrutura (Seinfra) já publicou no Diário Oficial do Estado o edital de licitação para contratação da empresa responsável pela construção das três novas estações subterrâneas. De acordo com o edital, o acolhimento das propostas seguirá até às 8h30 do dia 10 de agosto de 2026.
O prazo previsto para execução do contrato é de 30 meses, contados a partir da emissão da Ordem de Serviço. Nesses cálculos, o ambientalista Leonardo Jales, da flora cearense, diz que a obra inviabiliza o uso da praça por dois anos e meio se o prazo for cumprido, “coisa que raramente acontece”. Ele compara com a estação do Colégio Militar que também era para ficar concluída em 30 meses e já está com sete anos “e não terminou”.
O vereador Gabriel Aguiar (Psol) protocolou um requerimento solicitando a realização de uma audiência na Câmara, com a participação de ambientalistas, permissionários, moradores, esportistas para debater a questão. Tanto Gabriel quanto Leonardo defendem a existência do metrô, porém passando por outro local da área: “Acontece que o governo não quer gastar com desapropriação e prefere acabar com a praça mais bonita de Fortaleza”, reforça Leonardo indicando um terreno na Monsenhor Bruno, que é federal, e daria para abrigar a estação.
A escolha do local segundo a Seinfra se baseia em estudos técnicos de demanda e mobilidade, posicionando a parada de forma estratégica a cerca de 900 metros de distância das estações Colégio Militar e Nunes Valente para expandir a cobertura do sistema metroviário e o acesso à área central da capital. Leonardo Jales destaca que essas novas estações não constavam do projeto inicial.
São 60 árvores no espaço
A Seinfra informou ao Estado, por nota, que “a estrutura subterrânea da estação será construída pelo método NATM (New Austrian Tunneling Method), uma técnica construtiva que reduz significativamente os impactos na superfície e que foi escolhida justamente em razão das especificidades da praça, sendo essa a única estação de toda a Linha Leste projetada sob este modelo”.
Segue a nota: “o planejamento garante que não haverá interferência nos equipamentos tombados conhecidos como "castelinhos", nem impactos ao estacionamento junto à Avenida Santos Dumont ou necessidade de interdição da via durante os trabalhos. A Linha Leste já possui licença ambiental prévia”.
Após a contratação, explica a nota que “caberá à empresa vencedora elaborar os projetos básico e executivo, além dos estudos ambientais complementares e obtenção das licenças de instalação que serão submetidos à aprovação dos órgãos competentes municipais”.
Quanto à vegetação local, “não há definição, neste momento, sobre eventual necessidade de supressão de árvores, diagnóstico que só poderá ser realizado após a conclusão dos estudos ambientais e projetos executivos. Caso algum manejo vegetal seja necessário, o procedimento seguirá rigorosamente a legislação ambiental vigente, aplicando medidas de compensação, transplante e replantio”.
Leonardo Jales, ao observar o projeto, calcula o corte de 60 árvores de espécies nativas, entre jacarandá, torem, carnaúba, peroba, flamboyants, brincos-de-princesa, cajueiro e abricó de macaco. Leonardo lembra que “Fortaleza só conta com 16% de sua área verde, precisando preservar, e o governo faz o contrário potencializando as ilhas de calor da cidade.”
O advogado ambientalista que cuida de um mine bosque na praça há 15 anos destaca que vai ser aberta uma cratera de 33 metros de largura e15 metros de profundidade numa lateral e 12m noutra, para a estação que contará inclusive com mine shopping subterrâneo. No seu entender, a praça que hoje é um local de convívio vai ser é um espaço de entrada e saída de uma estação de metrô, vai se transformar num local de fluxo intenso.
Localização das três novas estações
A Estação da Sé estará delimitada pelas ruas Costa Barros, São José, Senador Almir Pinto e Coronel Ferraz, ao sul do Parque Pajeú, nas imediações do Paço Municipal e da Catedral Metropolitana. Atrás do polo de moda do Buraco da Gia.
A Estação Luíza Távora ficará localizada na praça, entre as ruas Carlos Vasconcelos e Monsenhor Bruno. Os acessos ficarão voltados para a praça (principal) e para a avenida Santos Dumont (secundário).
Já a Estação Virgílio Távora estará localizada na avenida Santos Dumont, entre a rua Coronel Linhares e a avenida Senador Virgílio Távora.
Esqueceram de preservar
O fulcro da questão, na opinião do presidente da ACI- jornalista Eliezer Rodrigues, que é autor do livro sobre o Castelo do Plácido, que existiu naquele espaço da praça Luiza Távora, o planejamento para o feito atual de engenharia atinge uma área, “que por desídia, principalmente de autoridades, foi ocupada por uma edificação cearense que tinha influência e traços na arte colonial formando o conceito arquitetônico do Ecletismo”.
O jornalista relembra que “se o Decreto-Lei do Presidente da República, Getúlio Vargas, de 1937, tivesse sido cumprido no Ceará, o Palácio do Plácido ainda hoje estaria de pé, e ornamentando a passagem do metrô entre a Av. Santos Dumont e as ruas laterais Carlos Vasconcelos e Monsenhor Bruno.”
Ele explica que em 1937, com a criação do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, atual Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), o Decreto-Lei assinado pelo então Presidente da República Getúlio Vargas considerava como "patrimônio cultural móveis ou imóveis existentes no Brasil, e cuja conservação é de interesse público por sua vinculação a fatos memoráveis. O objetivo do tombamento de um bem cultural é impedir sua destruição e mutilação, mantendo-o preservado para futuras gerações".
Por Elizabeth Rebouças da Editoria Especial do jornal OEstadoCe

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