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Com método associado a regimes autoritários, Trump intima jornalistas do New York Times após reportagens


Departamento de Justiça exige depoimento perante grande júri federal em Manhattan; jornal classifica ação como escalada extraordinária contra a imprensa independente.
Quatro jornalistas do The New York Times foram intimados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos a depor diante de um grande júri federal em Manhattan após publicarem reportagens sobre questões de segurança envolvendo o novo avião presidencial de Donald Trump.
As intimações foram entregues na sexta-feira (10) aos repórteres Julian E. Barnes, Eric Lipton, Tyler Pager e Eric Schmitt. Os documentos determinam que eles compareçam para prestar depoimento na quarta-feira (15) sobre uma suposta violação da legislação criminal federal, sem detalhar qual seria a investigação.
Segundo o jornal, em alguns casos os documentos foram entregues por agentes federais diretamente nas residências dos jornalistas. A medida foi classificada pelo Times como uma tentativa de intimidar organizações independentes de imprensa e ameaçar o princípio do sigilo das fontes.
O caso teve origem em reportagens publicadas pelo veículo sobre o novo Air Force One, um Boeing 747-8 entregue pelo Catar ao governo americano. As matérias apontaram que a aeronave não teria alguns sistemas avançados de segurança existentes no modelo anterior, incluindo recursos de defesa contra mísseis.
As reportagens também revelaram que o Serviço Secreto teria recomendado o uso de uma aeronave mais antiga durante uma viagem de Trump à Turquia para uma reunião da Otan.
Antes da publicação de uma das matérias, um funcionário do FBI procurou jornalistas do Times e pediu que a reportagem fosse adiada, alegando preocupação com a segurança nacional. Também solicitou informações sobre as fontes usadas pelo jornal, mas o pedido foi recusado.
O New York Times afirmou que a iniciativa representa uma “escalada extraordinária” nas ações do governo Trump contra veículos independentes.
O Departamento de Justiça, por outro lado, declarou que a investigação não tem como alvo jornalistas, mas busca identificar responsáveis pelo vazamento de informações consideradas confidenciais.
Entidades de defesa da imprensa reagiram às intimações. O National Press Club e o Comitê de Repórteres para a Liberdade de Imprensa afirmaram que obrigar repórteres a depor sobre suas apurações ameaça diretamente a proteção constitucional ao trabalho jornalístico.
O episódio também levantou questionamentos sobre o papel do procurador federal de Manhattan, Jay Clayton, que assinou as intimações e foi indicado recentemente por Trump para chefiar o Gabinete do Diretor de Inteligência Nacional.

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