Últimas definições devem ocorrer até período das convenções partidárias, entre 20 de julho e 5 de agosto
A eleição no Ceará para Presidência da República caminha para ter a maior parte dos candidatos sem palanque estadual, ou seja, sem uma aliança com um candidato ao Governo do Estado. Os presidenciáveis com "dobradinha" já encaminhada são minoria.
Com a proximidade das convenções partidárias, entretanto, muitos pontos podem ser definidos nos próximos dias e alianças serem fechadas de última hora. Até mesmo nomes hoje postos na disputa nacional e estadual podem ser retirados.
Dos treze pré-candidatos a presidente, oito não encontram palanque local, com um aliado cabeça de chapa na disputa pelo Governo do Ceará. A expectativa é que, nesses casos, os palanques sejam "puros", formados por lideranças e membros do respectivo partido no estado. Já outros cinco presidenciáveis devem fazer dobradinha com um correligionário que vai concorrer ao Palácio da Abolição.
A dobradinha mais emblemática deverá ser a formada pelo presidente Lula (PT) e pelo governador Elmano de Freitas (PT), ambos pré-candidatos à reeleição. Os dois petistas já fizeram campanha em 2022 com o slogan "Ceará 3 vezes mais forte", simbolizando a aliança entre as candidaturas de Lula à Presidência da República; Camilo Santana (PT) ao Senado e Elmano ao Governo do Estado. A parceria continuou nas gestões - Lula veio ao Ceará doze vezes para anunciar ações ao estado no atual governo - e deverá também marcar a campanha de 2026.
Assim como Lula, Elmano conta com uma ampla base aliada. Apesar disso, alguns partidos da situação no Ceará poderão apoiar o PT no estado e um nome próprio na disputa presidencial.
Além do PT, outras legendas também têm parcerias entre candidaturas previstas. Na direita, Romeu Zema (Novo) deve se alinhar ao seu correligionário, o senador Eduardo Girão, nome do Novo na disputa pelo Governo do Estado. O Partido Missão, que tem Renan Santos como pré-candidato a presidente, lançou o delegado afastado da Polícia Civil do Ceará, Huggo Leonardo (Missão). Inicialmente, ele havia lançado pré-candidatura ao Senado, mas recuou após convite de Renan para concorrer ao Governo do Ceará, fortalecendo o palanque do Missão no estado.
Já no campo da esquerda, o presidenciável Hertz Dias (PSTU) deve fazer dobradinha com Zé Batista (PSTU), pré-candidato a governador do Estado. Do mesmo modo, na Unidade Popular (UP), Samara Martins deve ter palanque alinhado a Serley Leal (UP) no Ceará.
Outros presidenciáveis ainda seguem sem previsão de palanque estadual, pelo menos não no formato mais conhecido, em aliança eleitoral com um candidato ao governo local. É o caso do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário de Lula e representante do bolsonarismo na disputa presidencial. Apesar de o PL ter confirmado o apoio a Ciro Gomes (PSDB) no estado, o tucano tem resistido à ideia de compor palanque com o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Ciro, que já disputou a presidência, reafirma as diferenças com o bolsonarismo no cenário nacional. O seu principal argumento para não apoiar Flávio era que seu partido, o PSDB, poderia lançar Aécio Neves (PSDB) à disputa nacional. Porém, essa possibilidade foi descartada pelo próprio Aécio na última quinta-feira (9). O PSDB informou que avalia apoiar um nome de centro de outro partido.
Na sexta-feira (10), Flávio esteve em Fortaleza para lançar Alcides Fernandes (PL) ao Senado e outros pré-candidatos do PL. O ato partidário não registrou presença de lideranças de outros partidos além do PL e ainda teve uma confusão com críticas à aliança com Ciro Gomes.
Apresentado como opção de centro ou centro-direita, Ronaldo Caiado (PSD) deve contar com um palanque formado pelas lideranças do PSD Ceará. O partido é aliado do PT a nível estadual, mas o presidente da sigla no Ceará, Domingos Filho (PSD), garante apoio ao ex-governador de Goiás pelo menos no primeiro turno da eleição nacional.
Em situação parecida, outros pré-candidatos à Presidência da República devem ter palanque "puro", composto apenas pelos seus respectivos partidos. É o caso de Augusto Cury (Avante); Cabo Daciolo (Mobiliza); Edmilson Costa (PCB); Heró Bezerra (PRTB); Joaquim Barbosa (DC) e Rui Costa Pimenta (PCO).
Todas as candidaturas e alianças eleitorais, a nível nacional e estadual, deverão ser definidas durante as convenções partidárias, previstas para entre 20 de julho e 5 de agosto, segundo o calendário eleitoral de 2026.
Este será o momento para que as legendas confirmem ou não os nomes que se apresentam atualmente. Também serão definidas as coligações das quais as siglas irão participar, o que irá determinar o desenho dos palanques de candidatos à Presidência e ao Governo do Estado.
Por Igor Magalhães da editoria de política do jornal OEstadoCe
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