Luiz Carlos Barreto, um dos maiores nomes da história do cinema brasileiro e filho ilustre de Sobral, faleceu nesta quarta-feira, 22 de julho de 2026, aos 98 anos, no Rio de Janeiro. Segundo informações divulgadas por familiares e pelo hospital onde estava internado, Barretão, como era carinhosamente conhecido, morreu em decorrência de complicações causadas por uma pneumonia e uma infecção pulmonar. Nos últimos anos, enfrentava também as consequências de um grave acidente que o deixou paraplégico.
Nascido em 20 de maio de 1928, em Sobral, Ceará, Luiz Carlos Barreto mudou-se para o Rio de Janeiro em 1947. Iniciou sua carreira como jornalista e fotógrafo da lendária revista O Cruzeiro, cobrindo importantes acontecimentos nacionais e internacionais. Durante esse período, estudou Letras na Sorbonne, em Paris, ampliando sua formação intelectual.
Sua entrada no cinema ocorreu no início da década de 1960, quando participou do roteiro e da produção de "Assalto ao Trem Pagador", dirigido por Roberto Farias. A partir daí, tornou-se um dos principais articuladores do movimento Cinema Novo, ao lado de grandes cineastas como Glauber Rocha, contribuindo decisivamente para a renovação do cinema nacional. Além de produtor, destacou-se como diretor de fotografia, assinando a fotografia de clássicos como "Vidas Secas" e "Terra em Transe", obras fundamentais da cinematografia brasileira.
Ao lado de sua esposa, Lucy Barreto, fundou a produtora LC Barreto, responsável por dezenas de filmes que marcaram gerações. O casal transformou a empresa em uma das mais importantes da história do audiovisual brasileiro, revelando talentos e produzindo obras de grande sucesso artístico e comercial. Também formaram uma família profundamente ligada ao cinema, sendo pais dos cineastas Bruno Barreto e Fábio Barreto.
Entre as principais produções de Luiz Carlos Barreto destacam-se:
Vidas Secas (1963);
O Padre e a Moça (1966);
Terra em Transe (1967);
Brasil Ano 2000 (1969), vencedor do Urso de Prata no Festival de Berlim;
Como Era Gostoso o Meu Francês (1971);
Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976), um dos maiores sucessos do cinema brasileiro;
Bye Bye Brasil (1979);
Memórias do Cárcere (1984);
O Quatrilho (1995), indicado ao Oscar de Melhor Filme Internacional;
O Que É Isso, Companheiro? (1997), também indicado ao Oscar;
Bossa Nova (2000), entre muitos outros.
Ao longo de mais de seis décadas de carreira, produziu mais de 70 filmes, conquistando reconhecimento internacional e ajudando a consolidar o cinema brasileiro nos principais festivais do mundo. Sua atuação foi decisiva tanto na fase do Cinema Novo quanto na retomada do cinema nacional nos anos 1990.
A morte de Luiz Carlos Barreto representa uma grande perda para a cultura brasileira. Sobral perde um de seus filhos mais ilustres, e o Brasil se despede de um homem que dedicou a vida à arte, à cultura e ao fortalecimento do cinema nacional. Seu legado permanecerá vivo nas telas, nas escolas de cinema e na memória de todos aqueles que reconhecem a importância de sua contribuição para a cultura brasileira.
FOTO DE O GLOBO
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