Aprovação de Trump desaba, enquanto guerra e economia pressionam os EUA
Pesquisa Reuters/Ipsos aponta desaprovação de 65% ao presidente, 24 pontos acima do índice registrado quando ele voltou à Casa Branca.
247 – A popularidade do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sofreu forte deterioração desde o início de seu segundo mandato. Segundo informações publicadas pela agência Prensa Latina, uma pesquisa Reuters/Ipsos mostra que a taxa de desaprovação ao republicano chegou a 65%, quatro pontos percentuais acima do levantamento anterior e 24 pontos superior ao índice registrado quando ele retornou à Casa Branca.
O resultado reforça a perda de apoio ao governo em meio ao prolongamento da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã e ao aumento da insatisfação dos eleitores com a situação econômica. A Prensa Latina destacou que o conflito está prestes a completar seis meses, ampliando o desgaste político de Trump diante de promessas feitas durante a campanha presidencial de 2024.
Uma média de pesquisas da Decision Desk HQ, divulgada um dia antes, apresentou um quadro semelhante, embora com números diferentes. De acordo com esse levantamento agregado, Trump tinha 38,7% de aprovação, enquanto a desaprovação alcançava aproximadamente 57,9%.
O cenário preocupa o presidente e o Partido Republicano às vésperas das eleições de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro. Os republicanos tentarão preservar o controle da Câmara dos Representantes e do Senado, mas enfrentarão um ambiente eleitoral marcado por críticas ao governo e pela insatisfação com os rumos do país.
A economia ocupa posição central nesse desgaste. Trump reconquistou a Casa Branca em 2024 com uma campanha concentrada na promessa de reduzir o custo de vida desde o primeiro dia de governo. Durante a disputa, ele atribuiu ao então presidente democrata Joe Biden a responsabilidade pela inflação elevada e afirmou que adotaria medidas rápidas para aliviar o orçamento das famílias.
Quase 20 meses depois de reassumir o poder em Washington, porém, a realidade descrita pela pesquisa é distinta da promessa eleitoral. O aumento dos preços continua afetando os consumidores, e os norte-americanos sentem a pressão diretamente no orçamento doméstico.
A política externa também se transformou em um fator de rejeição. Trump havia prometido evitar o envolvimento dos Estados Unidos nas chamadas “guerras intermináveis”, especialmente no Oriente Médio. No entanto, a ofensiva contra o Irã, conduzida em conjunto com Israel, tornou-se um dos principais pontos de tensão para seu governo.
No início do conflito, o presidente classificou a guerra como uma “excursão de curto prazo”, que poderia durar “talvez quatro a seis semanas”. Ele também declarou que um acordo de paz com a República Islâmica seria alcançado “em dois ou três dias”. A continuidade das hostilidades, contudo, contradiz essas previsões e amplia a percepção de que o governo não conseguiu cumprir a promessa de retirar os Estados Unidos de novos confrontos prolongados.
A combinação entre inflação, aumento dos custos e insatisfação com a guerra pode influenciar o comportamento dos eleitores nas eleições de novembro. Para os republicanos, a manutenção das duas casas do Congresso dependerá da capacidade de conter o desgaste presidencial e responder às críticas sobre a economia e a política externa.
Com a desaprovação em níveis elevados, Trump chega à disputa legislativa diante de um eleitorado menos disposto a apoiar suas decisões e cada vez mais atento às consequências sociais e econômicas do conflito no Oriente Médio.
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