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A banalização do exílio

 

Flávio Bolsonaro fugiu do Brasil.
A pusilanimidade da milícia chega aos Estados Unidos da América e vai implorar asilo político ao presidente Trump. Realmente patético, adjetivo que serve sempre aos covardes.
O abandono de seus seguidores tal vez mostre, de vez, uma direita política que almeje não continuar com o DNA bolsonarista.
Nesta altura dos acontecimentos pós-eleitorais no Brasil, onde o mundo olha com atenção a vitória magnânima ocorrida com o despertar das ruas, em uma virada democrática, onde a grande maioria do povo brasileiro conheceu a ficha corrida do candidato Flavio Bolsonaro, muitos mudando de voto, entendendo a gravidade de um retrocesso democrático, será muito difícil ao governo americano, diante da opinião pública mundial outorgar refúgio, com status político de “exílio”, a este delinquente que alega perseguição, dois dias depois de haver, livremente, concorrido ao maior posto da administração pública, a presidência da República.
Se assim o fizerem, os Estados Unidos da América, estarão banalizando o estatuto do exílio, como uma grande vergonha a ser pautada no mundo livre.
A Convenção de Genebra de 1951 e seu protocolo de 1967 são muito explícitos, no que se refere à concessão de refúgio, através do EXÍLIO.
A motivação deve ser a perseguição motivada por raça, religião, etnia ou por perseguição política. Como alegar perseguição política se ele acaba de receber milhões de votos e disputar com toda a liberdade a presidência da República.
Ainda nas normas de outorga terão o direito de refúgio/exílio, aqueles que em processos legítimos respondam por CRIMES DE DIREITO COMUM (crimes não políticos).
Este fugitivo, que se diz perseguido, acaba de disputar a PRESIDÊNCIA DA REPÙBLICA, tendo a desfaçatez de dizer que no Brasil não existe liberdade. Não cumpriu a ordem judicial de entregar o passaporte e saiu por Puerto Iguazú, na Argentina, com a conivência, sem dúvidas, daquele governo fascista de Milei. Esta conivência está explícita, pois a Polícia Federal não registrou a saída de Flávio e, na Argentina, já o esperava um jato de matrícula LV, vindo de Buenos Aires para levá-lo direto aos Estados Unidos da América.
No Brasil, no golpe de 1964, muitos brasileiros exilaram-se, pois estavam sendo perseguidos pelo Exército, Marinha e Aeronáutica. Mas todos que assim procederam se protegeram em embaixadas e de lá foram concedidos os asilos políticos. Ou outros, comprovadamente, estavam em listas de cassações por atos institucionais, o que internacionalmente constitui um ato ditatorial e, portanto, plenamente justificável diante da ONU e diante da opinião pública mundial.
A direita brasileira tem agora um caminho para sua reconstrução, tem o dever de trabalhar pela manutenção e aperfeiçoamento de nossa democracia, tem o dever de pensar no Brasil.
O progressismo lamenta o miliciano haver escapado da Justiça brasileira, ao contrário do que seria papel dos homens, que como Lula enfrentou as decisões judiciais e não fugiu delas.
Mas agora é hora de trabalhar, a democracia venceu!

*João Vicente Goulart é presidente do Instituto Presidente João Goulart (IPG).

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