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Flávio Bolsonaro ou Lula: quem foi melhor nas entrevistas da Globo?

 


Veja notas e avaliações dos colunistas do GLOBO
Candidatos à Presidência que disputam o segundo turno foram sabatinados pela jornalista Renata Lo Prete na quinta e na sexta-feira
Lula e Flávio Bolsonaro em sabatina da Globo.
A TV Globo realizou, nesta semana, entrevistas com os dois candidatos à Presidência da República que disputam o segundo turno. As sabatinas, transmitidas ao vivo após a exibição do Jornal Nacional, foram comandadas por Renata Lo Prete. Na quinta-feira, foi a vez do presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e, nesta sexta-feira, do senador Flávio Bolsonaro (PL). A ordem foi definida por sorteio com a presença de representantes dos partidos.
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Na visão dos colunistas do GLOBO, o petista foi quem teve o melhor desempenho. Ele recebeu uma nota média 3,8, numa escala que vai de 1 a 5. Já a entrevista do filho de Jair Bolsonaro (PL) foi classificada com uma nota média 2,9. Quanto maior o número atribuído pelo jornalista, melhor a atuação do candidato. A nota final é calculada a partir de uma média das pontuações atribuídas por cada colunista ao entrevistado.
Veja as notas dos colunistas para Lula
Lauro Jardim (nota 3) - Lula se mostrou mais relaxado hoje do que na entrevista do primeiro turno, quando se apresentou irritadiço. Não convenceu quando tentou dizer que fez um governo que incluiu o centro. Ou quando tentou justificar problemas éticos de seus auxiliares em relação com Daniel Vorcaro. E escorregou quando disse que não sabia que o Bolsa Família não havia sido reajustado em quase quatro anos de governo — algo grave para quem se arvora em ser um governante preocupado com os mais pobres. Mas o saldo geral da entrevista é positivo.
Míriam Leitão (nota 4) - Lula fez um esforço para se desligar da crise do STF, deu boa resposta sobre governabilidade. Errou ao dizer que desconhecia que o Bolsa Família não tinha sido reajustado. Perdeu a chance de dar alguma sinalização de ajuste fiscal. Acertou ao lembrar que recebeu um país desmontado pelo governo anterior. Só falou de fim da escala 6x1 nas considerações finais.
Vera Magalhães (nota 3) - Lula se saiu bem e estava menos na defensiva que no primeiro turno. A entrevista fluiu melhor e tratou de diversos temas mais propositivos, mas o petista vacilou ao dizer que não sabia que o bolsa família não tinha sido reajustado e demorou a falar da aprovação do fim da escala 6 x 1. Se saiu bem ao dizer como conduziu de forma técnica a investigação do caso Master, mas comprou uma briga com o campo progressista ao defender a redução da maioridade penal. Numa pegada mais light, não teve muita oportunidade de fustigar Flávio Bolsonaro.
Renato Meireles (nota 4) - Lula não caiu em armadilhas, manteve a calma, justificou a demora no reajuste do Bolsa Família e marcou distância da Faria Lima. Defendeu o SUS, mas deixou escapar a chance de explorar enfaticamente seu maior trunfo eleitoral: o fim da escala 6x1.
Merval Pereira (nota 4) - Lula estava afirmativo, tranquilo, e não irritadiço. Foi até engraçado ele dizer que não sabia que o Bolsa Família não tinha sido reajustado.
Thomas Traumann (nota 4) - Mais seguro, afável e enfático do que na primeira entrevista, Lula defendeu a redução da maioridade penal para crimes hediondos, ameaça retaliar os EUA e promete manter as investigações sobre o caso Master. Foi mal ao dizer que “não sabia” sobre o reajuste do Bolsa Família, mas pela primeira vez reconheceu que “não deu para fazer tudo”. Segurou os votos que já tinha e pode ter ganho alguns extras.
Bernardo Mello Franco (nota 4) - Sem o chapéu e a tensão do primeiro turno, Lula reconheceu falhas do governo, ajustou o discurso sobre segurança pública e foi incisivo ao cobrar reformas no STF. Perdeu a chance de falar mais sobre o fim da escala 6x1.
Fábio Graner (nota 4) - Lula se mostrou mais à vontade e seguro no modelo de entrevista desse segundo turno. Conseguiu explicar melhor seus planos e estratégias, seguiu os conselhos de mostrar mais humildade sobre seu governo e jogar mais duro com o STF e Alexandre de Moraes. Também inovou no seu campo político ao defender a redução para crimes hediondos da maioridade penal para crimes hediondos e foi duro ao chamar organizações criminosas de terroristas internos. Foi mal nas vezes em que falou que desconhecia coisas, como a falta de reajuste no Bolsa Família, uma resposta muito pouco convincente, e no discurso sem compromisso de controle de gastos, apesar de o tom de proteger os gastos com mais pobre poder funcionar.
Veja as notas dos colunistas para Flávio
Bernardo Mello Franco (Nota 3): "Flávio Bolsonaro começou bem ensaiado: adotou tom sereno e repetiu frases feitas para fidelizar evangélicos e não afugentar eleitores que temem cortes no social. Depois se enrolou ao responder sobre armas, condenação dos golpistas e negócios com Daniel Vorcaro."
Lauro Jardim (Nota 3): "Flávio Bolsonaro não foi convincente na explicação sobre como faria um ajuste fiscal de R$ 200 bilhões. E, em boa parte da entrevista, fugiu de dar respostas objetivas. Quando o assunto foi o caso Dark Horse, se mostrou nervoso, como se não conseguisse lembrar da resposta que ensaiou no media training. De pontos positivos, dois: encaixou por diversas vezes ataques a Lula em assuntos sensíveis ao eleitorado, como segurança pública; e, nas suas palavras finais, fez um bom resumo de suas propostas mais populares."
Míriam Leitão (Nota 3): "Flávio usou a entrevista como palanque em vez de responder às perguntas com dúvidas razoáveis sobre a sua candidatura. Isso o faz lacrar entre os que já são seguidores, mas há dúvidas se consegue convencer os indecisos e os independentes. Termina a entrevista sem aproveitá-la como oportunidade para responder às perguntas que existem sobre a sua candidatura. De novo ele nega que tenha havido uma tentativa de golpe, chamou de “golpe da Disney”. Aproveitou as considerações finais muito bem para falar para os eleitores e pediu votos."
Pablo Ortellado (Nota 3): "Flávio Bolsonaro se manteve na maior parte da entrevista sereno. Deu respostas inequívocas sobre temas sociais, como aumento do mínimo, manutenção do bolsa família e não desvinculação das aposentadorias. Também se comprometeu outra vez a respeitar o resultado das eleições. Quando perguntado sobre acusações de corrupção e sobre políticas controversas, preferiu tergiversar e subir o tom atacando o candidato adversário."
Renato Meirelles (Nota 3): "Flávio começou bem, abandonando posições impopulares, mas foi pior do que na sabatina do primeiro turno. Ao ser confrontado com seu passado e o do pai, ficou irritadiço e atacou Lula em excesso. O crescimento do PT na última semana parece ter aumentado seu nervosismo. Faltaram serenidade e carisma para conquistar indecisos, sobretudo as mulheres, e respostas sobre violência. Terminou falando para sua bolha. O eleitor de Lula provavelmente saiu mais animado do que entrou."
Vera Magalhães (Nota 2): "Flávio Bolsonaro faz o oposto de Lula na véspera: só fala do adversário. Confrontado com as próprias contradições, como o caso nunca esclarecido da transferência de milhões de dólares de Daniel Vorcaro para um filme sobre o pai num fundo do exterior, tergiversou, gaguejou e novamente não explicou nada. Não negou que Jair vá ter cargo em seu governo, mas descartou nomear o irmão, Eduardo, para chanceler. Foi excessivamente treinado para produzir cortes para as redes sociais, que talvez funcionem com seu público."
Fabio Graner (Nota 3): "Flávio Bolsonaro começou tranquilo e seguindo a estratégia de garantir que não vai prejudicar os direitos sociais dos mais pobres, ainda que tenha tergiversado em pontos importantes, como o detalhamento da estratégia de corte de gastos. Ficou confuso e se irritou a partir dos questionamentos sobre o caso do filme Dark Horse, sua relação com Daniel Vorcaro e nos temas envolvendo seu pai e a democracia, interrompeu a entrevistadora algumas vezes e abusou da estratégia “E o PT”, falando muito para a própria bolha. Nas considerações finais engatou um discurso mais coeso e um ar mais tranquilo."

Thomas Traumann (Nota 3): "Flávio Bolsonaro tinha como tática atacar Lula a cada resposta e negar os cortes de direitos sociais no seu eventual governo. Foi bem até se irritar nas questões sobre Daniel Vorcaro e cometer um erro ao defender a liberação de armas."

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