Departamento de Estado dos EUA retém comunicado sobre a eleição para avaliar questionamentos infundados do candidato derrotado
O governo dos Estados Unidos, sob a gestão de Donald Trump, decidiu reter a divulgação do comunicado oficial em que parabenizaria o povo brasileiro pela realização do pleito presidencial no domingo (25). A orientação para adiar a publicação e analisar a situação ocorreu logo após o candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) declarar que não reconhecia a vitória do presidente Lula (PT) e solicitar a anulação da eleição, informa a Folha de São Paulo.
A minuta da nota já havia sido elaborada pelo Departamento de Estado norte-americano, atendendo ao procedimento diplomático padrão adotado pela Casa Branca para pleitos eleitorais em todo o mundo. A mudança de postura ocorreu depois que Flávio Bolsonaro afirmou, em entrevista concedida na noite de domingo, que teriam ocorrido irregularidades em razão da decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Cristiano Zanin, de estender o horário de votação.
A embaixada dos EUA no Brasil foi procurada pela Folha de São Paulo, mas não apresentou nenhuma previsão sobre quando o texto será divulgado. A postura adotada pela atual administração norte-americana diverge do histórico recente do país. Em 2022, na gestão de Joe Biden, os Estados Unidos se posicionaram entre as primeiras nações a cumprimentar o presidente Lula pelo resultado das urnas, em um momento em que Jair Bolsonaro (PL) lançava acusações de fraude sobre o processo eleitoral.
Mesmo entre aliados políticos e ideológicos da família Bolsonaro na América Latina, a reação foi distinta. Chefes de Estado de direita alinhados a Donald Trump — como Abelardo de la Espriella, da Colômbia, e José Antonio Kast, do Chile — já publicaram mensagens em suas redes sociais parabenizando o presidente Lula pela vitória.
Além do caso brasileiro, o governo norte-americano também não emitiu pronunciamento oficial sobre a votação realizada na Sérvia no mesmo domingo, ocasião em que o primeiro-ministro Aleksandar Vucic, outro aliado de Trump, foi derrotado.

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