Economista desmonta o discurso do ‘tesouraço’ fiscal, alerta para o modelo destrutivo de Milei e denuncia a ameaça de vassalagem imediata do Brasil a Washington
247 – Uma eventual vitória da extrema-direita liderada pelo clã Bolsonaro representaria um retrocesso sem precedentes na história moderna do Brasil, ameaçando a soberania territorial, a diplomacia e a subsistência da classe trabalhadora. Foi o que detalhou o economista Paulo Nogueira Batista Júnior em entrevista ao jornalista Leonardo Attuch, na TV 247, ao traçar uma radiografia minuciosa da ameaça bolsonarista em três eixos centrais: financeiro-social, geopolítico e soberania sobre os recursos naturais.
Choque fiscal e massacre social
No plano doméstico, o economista desmascarou as promessas de “ajuste fiscal” divulgadas em conversas de bastidor com o mercado financeiro. Segundo Paulo Nogueira, os acenos de corte de despesas focados em ministérios ou supersalários são meras cortinas de fumaça: a verdadeira conta do modelo ultraliberal sempre recai sobre as camadas mais vulneráveis da população.
“Qualquer ajuste fiscal coloca uma pergunta central: quem vai pagar a conta? No modelo bolsonarista, a conta é jogada nas costas dos pobres. Isso significa liquidar a valorização do salário mínimo, desvincular aposentadorias, estrangular os pisos constitucionais de saúde e educação e desmantelar programas vitais como o Farmácia Popular.”
— Paulo Nogueira Batista Júnior
Ele alertou ainda para o risco de um choque fiscal concentrado no tempo, aos moldes do que Javier Milei implementou na Argentina, gerando um efeito recessivo devastador em um momento em que a economia já enfrenta o peso das taxas de juros elevadas.
Subordinação diplomática e sabotagem dos Brics
No cenário internacional, Paulo Nogueira chamou a atenção para o risco geopolítico. Ele destacou que um governo bolsonarista operaria sob um contexto global ainda mais hostil e agressivo de pressões externas, adotando uma postura de alinhamento cego e submissão automática aos Estados Unidos.
“Não estamos falando de mero alinhamento diplomático, mas de pura subordinação. O candidato da extrema-direita é um postulante a vassalo. Essa postura colocaria em risco a atuação histórica do Brasil nos Brics e implodiria a relação com a China, nosso maior parceiro comercial, causando um choque econômico irracional no próprio agronegócio.".
A cobiça pelas terras raras e a soberania
Por fim, o economista abordou a dimensão da soberania sobre recursos estratégicos. Na disputa tecnológica e energética global entre superpotências, as reservas brasileiras de terras raras e minerais críticos tornaram-se alvos centrais de cobiça estrangeira.
“Os Estados Unidos não oferecem parceria comercial generosa, buscam extração e exploração. O Brasil detém a segunda maior reserva de terras raras do mundo. Sob um governo submisso e fraco, o patrimônio estratégico nacional será entregue sem qualquer salvaguarda para o desenvolvimento da nossa própria indústria.”
Reafirmando a célebre máxima que deu título a seu livro e ecoou na tribuna da ONU — “O Brasil não cabe no quintal de ninguém” —, o economista enfatizou a necessidade de o povo brasileiro recuperar o orgulho e a consciência do tamanho de seu país para barrar nas urnas o projeto de degradação nacional.

Nenhum comentário:
Postar um comentário