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Rubens Barbosa afirma que EUA agiram indiretamente para influenciar as eleições brasileiras, citando financiamento e suspensão de serviços consulares.

 

(Foto: Instagram)

O embaixador Rubens Barbosa declarou em entrevista à CNN Brasil na noite de sexta-feira, 2 de outubro de 2026, que os Estados Unidos adotaram medidas capazes de influenciar, ainda que de forma indireta, o processo eleitoral do Brasil. Segundo ele, ações recentes de Washington confirmam sua expectativa de que o país norte-americano tentaria interferir no pleito brasileiro.
Barbosa citou como exemplo o financiamento de US$ 1 milhão concedido pelo governo de Donald Trump a uma organização brasileira cujo objetivo declarado é combater o que os EUA chamam de “lawfare e censura” no Brasil. Ele também mencionou a suspensão de parte dos serviços consulares na embaixada americana após um alerta de segurança, medida que, na visão do diplomata, faria parte de um pacote para influenciar o clima político.
O embaixador ressaltou que a decisão da embaixada dos EUA foi seguida por postura similar da representação do Canadá e da Austrália, além de recomendações da embaixada do Reino Unido sobre possíveis distúrbios no país. “Nada disso está acontecendo. Acredito que essas ações foram inspiradas pelos Estados Unidos como forma indireta de interferir na eleição”, afirmou Barbosa.
Para ele, a fase final da campanha para o primeiro turno tem sido marcada por tranquilidade e livre circulação dos candidatos pelo território nacional. No entanto, avaliou como “interferência indevida” da Justiça na liberdade de imprensa o cancelamento, pela TV Globo, do que seria o último debate antes do pleito, agendado para quinta-feira, 1º de outubro.
Essa suspensão do encontro entre os postulantes à Presidência, de acordo com Barbosa, ocorreu após decisões do Tribunal Superior Eleitoral e do Supremo Tribunal Federal, que mudaram regras previamente estabelecidas para o evento. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou na quarta-feira, 30 de setembro, que não participaria, e o principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL), desistiu na quinta-feira, 1º.
Barbosa rejeitou a possibilidade de uma ofensiva direta do governo americano, nos moldes do que houve na Venezuela com a captura de Nicolás Maduro. “Podem haver ameaças de sanções ou de coerção, mas nada além disso. Não acredito que um episódio semelhante ao da Venezuela possa se repetir no Brasil”, afirmou.

O embaixador, entretanto, expressou preocupação com o segundo turno, caso o resultado do primeiro seja muito apertado, conforme apontam as pesquisas. “Se um dos candidatos perder e questionar a lisura da apuração, isso pode suscitar uma interferência mais forte do governo americano, sobretudo se o caso for do Bolsonaro”, concluiu.

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