Noblat aponta os laços de Flávio Bolsonaro com o submundo do crime organizado no Rio de Janeiro
247- Ao longo de sua trajetória como deputado estadual no Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro concedeu homenagens a diversos integrantes das forças de segurança que, anos depois, seriam investigados, presos ou condenados por crimes como participação em milícias, homicídios, corrupção, improbidade administrativa, lavagem de dinheiro e formação de organizações criminosas. O histórico das relações de Flávio Bolsonaro com o "submundo" do crime foi publicado pelo jornalista Ricardo Noblat, do Metrópoles.
Entre os casos mais conhecidos está o de Adriano Magalhães da Nóbrega, ex-capitão do Bope posteriormente apontado como líder da milícia de Rio das Pedras e do grupo de extermínio Escritório do Crime. Flávio concedeu a Adriano uma Moção de Louvor em 2003 e a Medalha Tiradentes em 2005, além de empregar sua mãe e sua esposa em seu gabinete na Alerj.
Outras homenagens concedidas por Flávio Bolsonaro alcançaram policiais e oficiais que posteriormente se tornaram réus ou condenados pela Justiça.
Entre eles estão Ronald Paulo Alves Pereira, condenado por participação em uma chacina e apontado como líder miliciano; Claudio Luiz de Oliveira, condenado como mandante do assassinato da juíza Patrícia Acioli; Hélio Machado da Conceição, expulso da PM por envolvimento com milícias e caça-níqueis; Maycon Macedo de Carvalho, acusado de corrupção e organização criminosa; além dos policiais Alan Rodrigues de Oliveira e Alex Rodrigues, presos por extorsão de comerciantes na Zona Oeste do Rio.
A lista inclui ainda Arlei Balbino, réu por improbidade administrativa; Edson Alexandre Pinto de Góes, condenado por lavagem de dinheiro; Edson Raimundo dos Santos, condenado pela participação no caso Amarildo; e o militar da reserva Lício Maciel, homenageado por sua atuação na Guerrilha do Araguaia e posteriormente denunciado pelo Ministério Público Federal por crimes cometidos durante a ditadura militar.
Mais cedo, os Estados Unidos classificaram as facções criminosas Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. A medida do Departamento de Estado norte-americano ocorreu após um encontro entre Flávio Bolsonaro e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Washington.
CV planeja matar Flávio Bolsonaro, divulga Carlos Bolsonaro
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Carlos Bolsonaro usou as redes sociais na tarde desta segunda-feira, 01 de junho, para compartilhar que o Comando Vermelho (CV) estava planejando matar Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à presidência do Brasil, em Minas Gerais.
A informação foi compartilhada por Carlos Bolsonaro nas redes sociais após o portal ‘Timeline’ divulgar a informação. Na publicação, eles destacam que ‘a ação foi identificada pelas autoridades policiais de Minas Gerais que já abriu investigação sobre o grupo de WhatsApp’.
O portal ainda informa que um conjunto de mensagens e imagens obtidas com exclusividade pela revista citada revela a existência de um grupo de WhatsApp criado para organizar manifestações contra a entrega do título de cidadão honorário de Belo Horizonte ao senador Flávio Bolsonaro.
Ainda de acordo com as apurações, autoridades de segurança já foram informadas sobre a existência do grupo e sobre o planejamento da morte do senador Flávio Bolsonaro. Algumas fontes ligadas ao monitoramento do grupo afirmam ter identificado participantes que defendiam ações mais agressivas durante a mobilização.
Mensagens obtidas pela reportagem citada ainda evidenciam a radicalização do movimento organizado para protestar contra Flávio em Belo Horizonte. O material foi encaminhado às autoridades policiais, que foram alertadas sobre o conteúdo das conversas. Nomes chegaram a serem citados e tudo segue sendo investigado.
Penso eu - Lá vem eles de novo. Matar, em Minas, movimentos...será que não daria pra mudar o disco? Colou uma vez. Ou terá outro Adelio Bispo de plantão?
Pesquisa joga custo de Flávio Bolsonaro no palanque de Moro
O presidente Lula (PT) aparece com 45% contra 40% do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em eventual segundo turno, segundo pesquisa Real Time Big Data divulgada pela Veja nesta segunda-feira (1º). O número mede o custo nacional do caso Dark Horse dias depois de Curitiba receber o pré-candidato bolsonarista no palanque de Sergio Moro, Deltan Dallagnol, Filipe Barros e Paulo Martins.
O levantamento ouviu 2.000 eleitores entre sexta-feira (29) e sábado (30), com margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e 95% de confiança. A pesquisa está cadastrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-05864/2026
Lula cresceu dois pontos e Flávio Bolsonaro perdeu quatro em relação à rodada anterior do Real Time Big Data. A mesma pesquisa aponta 8% de votos brancos e nulos e 7% de eleitores que não souberam ou não responderam no confronto direto entre os dois.
O dado não prova causalidade entre o caso Dark Horse e a queda do senador. Prova, porém, que a primeira medição divulgada depois da crise chegou ruim para quem tentou transformar Flávio Bolsonaro em trunfo presidencial da direita.
Em março, Lula tinha 42% e Flávio Bolsonaro marcava 41%. Em maio, o senador aparecia numericamente à frente, com 44% contra 43% do petista. Em junho, Lula foi a 45% e Flávio Bolsonaro recuou para 40%.
O problema para a direita paranaense é que Curitiba entrou nessa história como vitrine. Na sexta-feira (29), Moro lançou sua pré-candidatura ao governo do Paraná ao lado de Flávio Bolsonaro, Deltan Dallagnol e Filipe Barros, enquanto Paulo Martins, vice-prefeito de Curitiba pelo Novo, também participou do ato.
A aposta era simples: usar Curitiba como selo político para juntar bolsonarismo, lavajatismo e a direita local em torno de 2026. A pesquisa muda o peso da foto. O que parecia demonstração de força passa a ser cobrado como associação com um candidato nacional sob desgaste.
Flávio Bolsonaro virou centro da crise depois da divulgação de áudio envolvendo Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e a busca de recursos para o filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro. O senador afirma que procurava patrocínio privado, nega irregularidade e sustenta que não havia suspeitas públicas contra Vorcaro quando o contato começou.
A defesa política não eliminou o dano eleitoral. O Real Time Big Data mostra que Flávio Bolsonaro continua competitivo, mas perdeu a dianteira que havia aparecido em maio. Para Moro, Deltan e Filipe Barros, o recado é direto: o palanque paranaense herdou uma conta que não nasceu no Paraná.
O levantamento também mostra que outros nomes da direita chegam ao segundo turno com desempenho menos ruim contra Lula. O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD-GO), aparece empatado com o petista em 43% a 43%. O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo-MG), marca 40% contra 43% de Lula, dentro da margem de erro.
Esse contraste abre uma disputa interna na oposição. Se Flávio Bolsonaro carrega o sobrenome, Caiado e Zema oferecem à direita uma rota sem o peso imediato do caso Dark Horse. A pergunta que chega ao Paraná é se Moro vai manter sua candidatura estadual amarrada ao projeto nacional do filho zero um de Jair Bolsonaro.
A pesquisa também mediu a percepção sobre o encontro de Flávio Bolsonaro com Donald Trump. De acordo com o levantamento, 42% dos eleitores viram a reunião como neutra, 29% como positiva e 29% como negativa. O dado impede a campanha bolsonarista de vender a agenda internacional como vitória majoritária no eleitorado.
No Paraná, esse ponto tem consequência concreta. Moro elogiou a articulação internacional de Flávio Bolsonaro sobre PCC e Comando Vermelho, enquanto deputados da base do governo acionaram a Procuradoria-Geral da República para questionar se a ofensiva externa atingiu a soberania nacional. A pesquisa mostra que a agenda não blindou o senador.
A conta política agora passa por três nomes no Paraná. Moro precisa explicar se seu projeto para o Palácio Iguaçu depende de Flávio Bolsonaro. Deltan Dallagnol precisa dizer se sua candidatura ao Senado vai carregar a crise nacional do PL. Filipe Barros terá de defender no estado uma chapa que foi atingida por pesquisa, PGR e caso Master na mesma semana.
Curitiba foi escolhida para mostrar unidade da direita. A pesquisa Real Time Big Data transformou o ato em termômetro de risco. Flávio Bolsonaro ainda tem voto, partido e sobrenome, mas já não chega ao Paraná como ativo sem custo para seus aliados.
Caso PCC/CV – Gilmar dá forte resposta aos EUA: “Não souberam lidar com tentativa de golpe”
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De LISBOA | Num ambiente marcado por uma aparente prudência e, em termos práticos, pelo silêncio das autoridades presentes, o ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), quebrou o tom reservado no primeiro dia do 14º Fórum Jurídico de Lisboa. Sendo o primeiro a falar publicamente com a imprensa, o magistrado deu uma resposta firme e direta à recente ofensiva de Washington contra Brasília.
A reação de Mendes ocorre após os EUA, por forte incitação do clã Bolsonaro, anunciarem a inclusão das facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) na lista de organizações terroristas internacionais. A medida é vista nos bastidores de Brasília como uma clara intromissão do governo de Donald Trump na soberania nacional e uma tentativa de emparedar o Judiciário brasileiro.
Recado sutil e direto à Suprema Corte americana
Embora tenha adotado a tradicional liturgia do cargo, as declarações de Gilmar Mendes carregaram um forte teor político. O decano traçou um paralelo direto entre a atuação das instituições brasileiras e as norte-americanas diante das recentes ameaças.
Nas entrelinhas, o recado foi claro: o Judiciário dos EUA falhou ao não punir exemplarmente os articuladores do ataque ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021, permitindo que Donald Trump ficasse livre para voltar ao poder e, agora, passasse a atormentar o cenário global e o Brasil. Em contrapartida, exaltou a firmeza do STF na proteção do Estado de Direito após os ataques de 8 de janeiro de 2023 em Brasília.
Ao ser questionado sobre a decisão do governo Trump envolvendo as facções brasileiras e a aplicação de sanções internacionais, Gilmar Mendes adotou um tom de firmeza institucional:
“Tudo tem que ser olhado com bastante cuidado, e nós temos sabido fazer a defesa da nossa soberania, como demonstramos nas discussões todas que tivemos em torno da [Lei] Magnitsky, que foram as discussões que tivemos em torno, e temos tido, em torno das redes sociais. Olha, eu confio na institucionalidade e na defesa institucional da nossa soberania. Temos feito todo esforço nesse sentido e vamos preservar todo esse debate em nível elevado, como se tem feito.”
Maturidade institucional e o fantasma do golpismo
A menção à Lei Magnitsky, mecanismo utilizado pelos EUA para punir indivíduos e organizações acusadas de violações de direitos humanos e corrupção pelo mundo, serviu de gancho para o ministro elevar o tom em sua segunda intervenção. Para Mendes, o Brasil possui maturidade e musculatura institucional suficientes para repelir pressões externas, sejam elas de caráter alfandegário, como o tarifaço, ou jurídico.
O ministro sublinhou que a resposta brasileira ao golpismo foi sensivelmente mais adequada e eficaz do que a observada em Washington, sugerindo que os EUA carecem de autoridade moral para dar lições de gerenciamento de crises ao Brasil.
“O Brasil tem sabido responder bem a essas contingências, vocês acompanharam o tarifaço, a Lei Magnitsky. Nós temos um país que é maduro em termos institucionais, tem se revelado maduro em termos institucionais e tem se revelado forte nessas várias crises. A Corte Suprema americana enfrentou um desafio semelhante ao nosso, e talvez as nossas respostas tenham sido mais adequadas. O 6 de janeiro deles e o nosso 8 de janeiro tiveram desfechos diferentes.”
A manifestação do decano estabelece o posicionamento da alta cúpula do Judiciário brasileiro no evento em Portugal: o país não aceitará a instrumentalização de suas crises de segurança pública por alas da extrema direita internacional aliadas ao trumpismo.
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