Flávio sem Ciro Nogueira seria como um Piu-Piu sem o Frajola
Josias de SouzaColunista do UOL
Ciro Nogueira e Flávio Bolsonaro
Imagem: Agência Senado
Se o vaivém de uma campanha eleitoral ensina alguma coisa é que convém ao eleitor desconfiar. Com o esforço de Flávio Bolsonaro para se dissociar do senador Ciro Nogueira, a questão acaba sendo não qual é a verdade, mas qual é a versão mais conveniente para o filho de Bolsonaro.
Ciro preside o PP, legenda que compõe com o União Brasil uma federação partidária. As revelações da Polícia Federal sobre os vínculos financeiros promíscuos do senador com Daniel Vorcaro ganharam o noticiário no momento em que Flávio costura com o conglomerado União-PP uma aliança estratégica.
Flávio descobriu que se desvincular de Ciro, ex-chefe da Casa Civil na Presidência do seu pai, é mais complicado do que parece. Distância demais ameaça a aliança com o centrão. Proximidade demais transforma o slogan do PT em realidade: "Bolso-Master".
Até outro dia, Flávio tratava Ciro como "vice dos sonhos". Ou como patrono da indicação de Tereza Cristina, senadora do PP, como número 2 da chapa presidencial. Fica difícil, dificílimo ostentar a indignação coreográfica de Flávio sem melindrar com o parceiro tóxico e seu grupo político.
O eleitorado bolsonarista dá de ombros para o paradoxo. Mas o eleitor independente de centro, decisivo para a definição do tira-teima de uma sucessão em que os representantes dos polos estão estatisticamente empatados nas pesquisas, talvez se lembre de uma música que já esteve no topo das paradas de sucesso.
Como na canção de Claudinho e Bochecha, interpretada magistralmente por Adriana Calcanhoto, Flávio Bolsonaro sem Ciro Nogueira é mais ou menos como "avião sem asa, fogueira sem brasa, futebol sem bola, Piu-Piu sem Frajola.".
De Josias de Souza-Colunista do UOL
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