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O homem da Quaest

 

FELIPE NUNES FALA NO PROVOCA SOBRE POLÍTICA E PESQUISAS ELEITORAIS E REVELA POR QUE NÃO VOTA

Na próxima terça-feira (1/9), o Provoca, apresentado por Marcelo Tas, recebe o cientista político Felipe Nunes, fundador do instituto de pesquisas Quaest. Na conversa, ele analisa o atual cenário político brasileiro, o comportamento do eleitor e os desafios das pesquisas eleitorais para interpretar uma sociedade cada vez mais politizada. A edição vai ao ar às 22h30, na TV Cultura.
Ao comentar as transformações do eleitorado brasileiro, Nunes destaca que as pessoas estão mais interessadas em política, mas também mais identificadas com suas próprias posições. “As pessoas estão mais politizadas, mas também estão mais enviesadas, porque agora elas olham pro mundo a partir dessa identidade que elas carregam na cabeça”, afirma. Para ele, embora a maior politização seja positiva, ela também tem impacto sobre a capacidade de diálogo: “A boa notícia é povo tá mais politizado, tá mais interessado, mas isso diminui a capacidade do debate”.
Nunes também chama atenção para a diferença entre violência e divergência política. Segundo ele, o país precisa recuperar a capacidade de conviver com opiniões diferentes. “A gente está confundindo debate político com violência”, diz. O cientista político ressalta que, em uma democracia, o conflito de ideias é necessário e defende que “as ideias têm que brigar, não as pessoas”.
Durante a entrevista, Felipe Nunes revela ainda que não vota desde que fundou a Quaest. Ele explica que a decisão está relacionada à busca por isenção na análise do comportamento do eleitor. “A melhor maneira de você praticar aquilo que eu defendo, que é isenção, independência e neutralidade, é não fazendo o esforço mental de ir votar”, afirma.
Outro tema abordado é o papel das pesquisas eleitorais. Nunes contesta a ideia de que seu objetivo seja prever ou “acertar” o resultado das eleições. “O papel das pesquisas eleitorais não é acertar resultado”, explica. Segundo ele, a pesquisa não funciona como uma aposta ou uma previsão do futuro: “Eu não tenho bola de cristal, não faço futurologia. E não há disciplina nas ciências sociais, não há, que te ensine a projetar o futuro.” Para o pesquisador, seu trabalho é interpretar o comportamento do eleitor e compreender as mudanças de atitude ao longo do processo eleitoral.

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