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Após ataques de Trump ao papa, vice dos EUA pede que Vaticano se atenha a questões de moralidade




O vice-presidente dos EUA, JD Vance pediu ao Vaticano que “se atenha a questões de moralidade”. A declaração ocorre em meio a uma crescente disputa entre o presidente Donald Trump e o papa Leão XVI sobre o Irã.
“Certamente acho que, em alguns casos, seria melhor para o Vaticano se ater a questões de moralidade... e deixar que o presidente dos Estados Unidos se concentre em ditar a política pública americana”, disse Vance ao programa “Special Report with Bret Baier”, da Fox News.
Nesta segunda, Trump se recusou a pedir desculpas ao pontífice pelas declarações feitas contra ele nas redes sociais no final de semana. “Não há nada pelo que me desculpar. Ele está errado”.
“O papa Leão disse coisas incorretas. Ele foi muito contra o que estou fazendo em relação ao Irã, e não se pode ter um Irã nuclear”, disse Trump, acrescentando que o papa era “muito fraco em relação ao crime e outras questões”.
Em resposta aos comentários, Leão XIV disse que não tem “nenhum medo da administração Trump, nem de falar abertamente a mensagem do Evangelho, que é o que acredito ser minha missão aqui”.
O vice-presidente dos EUA, JD Vance pediu ao Vaticano que “se atenha a questões de moralidade”. Foto: JACQUELYN MARTIN
O vice-presidente dos EUA, JD Vance pediu ao Vaticano que “se atenha a questões de moralidade”. Foto: JACQUELYN MARTIN
As falas de Trump motivaram reações de diversos líderes mundiais. A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, classificou como “inaceitáveis” as críticas do presidente dos Estados Unidos ao pontífice.
“Considero inaceitáveis as palavras do presidente Trump sobre o Santo Padre. O papa é o chefe da Igreja católica, e é justo e normal que ele peça a paz e condene todas as formas de guerra”, afirmou em nota.
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, condenou o que chamou de “insulto” ao pontífice. Em nome do Irã, o líder do país persa afirmou que “a profanação de Jesus, profeta da paz e da fraternidade, não é aceitável para nenhuma pessoa livre”.
A manifestação foi publicada no X e se soma a outras respostas de autoridades políticas e religiosas ao ataque de Trump, que chamou o papa de “fraco no combate ao crime e péssimo em política externa” e o criticou por sua posição sobre o Irã e armas nucleares. Líderes também criticaram uma imagem publicada pelo americano em que ele aparece na figura de Jesus e simulando a cura de uma pessoa.
Também no X, o ex-primeiro-ministro da Itália e ex-comissário europeu Paolo Gentiloni ironizou a controvérsia ao afirmar que o papa não excomungaria Trump, citando “o poder da misericórdia papal”.
Já Antonio Spadaro, subsecretário do Dicastério para a Cultura e Educação do Vaticano, avaliou que os ataques revelam um desconforto do poder político diante da autoridade moral do pontífice. Segundo ele, “quando o poder político se volta contra uma voz moral, muitas vezes é porque não consegue contê-la”, acrescentando que, ao tentar deslegitimar Leão XIV, Trump acaba reconhecendo o peso de suas palavras.
Líderes católicos também se manifestaram
Lideranças católicas também expressaram nesta segunda-feira, 13, apoio ao papa, que foi duramente criticado pelo presidente dos EUA, após se manifestar sobre a guerra envolvendo o Irã.
A Conferência Episcopal Italiana reafirmou “sua plena comunhão com o Santo Padre Leão XIV”, em comunicado em que “lamenta as declarações dirigidas contra ele nas últimas horas pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump”.
“O papa não é um interlocutor político, mas o sucessor de Pedro, chamado a servir o Evangelho, a verdade e a paz”, acrescenta a manifestação.
Pouco antes o presidente da Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos, o Arcebispo Paul S. Coakley, também se manifestou em favor do pontífice. “Estou consternado com a decisão do presidente de escrever declarações tão desagradáveis ??sobre o Santo Padre. O papa Leão XIII não é seu rival, o papa não é um político”.
Papa Leão XIV diz que não debaterá com Trump e que só defende a paz: ‘Não tenho medo’
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O posicionamento de Trump veio após o papa ter denunciado, no fim de semana, a “ilusão de onipotência” que está alimentando a guerra entre os EUA e Israel contra o Irã, e ter exigido que os líderes políticos parassem e negociassem a paz.
O presidente afirmou que Leão XIV deveria “parar de ceder à esquerda radical” e o classificou como “fraco no combate ao crime” e “péssimo em política externa”.
Também criticou sua posição sobre o Irã, dizendo: “Não quero um papa que ache aceitável que o Irã tenha armas nucleares”. “Se eu não estivesse na Casa Branca, Leão XIV não estaria no Vaticano”, escreveu Trump, acrescentando que o papa deveria “se concentrar em ser um grande papa, não um político”.

A bordo do avião em que viajou para a Argélia nesta segunda-feira, o Papa comentou os ataques. “Não sou político, não tenho intenção de entrar em debate com ele, a mensagem continua a mesma: promover a paz.” Ele também afirmou que não tem “medo da administração de Trump”. /Com informações de agências

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