O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) embarcou na tarde de ontem, quarta-feira (6) para Washington, onde se reunirá com o presidente americano Donald Trump na Casa Branca nesta quinta-feira (7). Entre os temas centrais da agenda está a defesa do Pix diante de uma investigação comercial aberta pelos Estados Unidos que pode resultar em novas sanções econômicas contra o Brasil.
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que assumiu a Presidência interinamente até o retorno de Lula, classificou a possibilidade de sanções como uma “preocupação” do governo e disse que o tema será tratado como prioridade no encontro. Em entrevista à Globo News, Alckmin considerou que a investigação americana “não tem muito sentido” e defendeu a necessidade de “esclarecer” o funcionamento do sistema de pagamentos ao governo Trump.
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Foto: Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, que integra a comitiva presidencial, afirmou que o governo está disposto a explicar o modelo do Pix diretamente aos americanos.
“O Pix é uma infraestrutura de pagamento pública, que os EUA conhecem e têm algo parecido. Nós precisamos afastar algum lobby indevido em relação ao Pix”, declarou em entrevista ao programa Bom Dia, Ministro. Durigan confirmou que o tema será levado à reunião com Trump.
Entenda o conflito
O pano de fundo da disputa é uma investigação aberta sob a Seção 301 da legislação comercial americana. O governo dos EUA avalia que o Pix favorece empresas brasileiras e cria um ambiente competitivo desfavorável para operadoras como Visa e Mastercard.
O relatório final deve ser concluído em julho e pode servir de base legal para um novo pacote de tarifas — após a Suprema Corte americana suspender o chamado “tarifaço” por falta de justificativas do governo Trump.
Além do Pix, a investigação americana cobre questões relacionadas à produção de etanol e ao desmatamento ilegal.
Negociadores brasileiros presentes em reuniões com contrapartes americanas em abril demonstraram ceticismo quanto à eficácia de argumentos técnicos. Segundo relato de diplomatas sob anonimato à Folha de S. Paulo, há a percepção de que os EUA devem utilizar a Seção 301 como instrumento político, não apenas regulatório.
A comitiva que acompanhou Lula inclui o chanceler Mauro Vieira e os ministros Wellington César Lima e Silva (Justiça), Márcio Elias Rosa (Indústria e Comércio), Alexandre Silveira (Energia) e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos. A agenda bilateral também abrange temas como a guerra no Irã, terras raras e cooperação em segurança.
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