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Cara de pau é pouco

 

O presidente dos EUA, Donald Trump, parado ao lado da comemoração da Espanha — Foto: REUTERS/Mike Segar

O presidente dos EUA, Donald Trump, parado ao lado da comemoração da Espanha — Foto: REUTERS/Mike Segar

A cena constrangedora se repetiu: em busca de um lugar na foto — e na história — da Copa do Mundo de 2026, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se recusou a deixar o pódio onde a seleção espanhola estava prestes a erguer a taça de campeã, tal como fez com o Chelsea na final do Mundial de Clubes, no ano passado.

O amigo Gianni Infantino tentou tirar Trump da cena, o capitão Rodri esperou pacientemente que ele se afastasse, mas o presidente permaneceu na ponta do grupo, fora do enquadramento principal, tentando transformar a celebração em mais um momento de protagonismo político.

No campo geopolítico, a vitória da Espanha foi uma derrota para Trump, que vive às turras com o premiê Pedro Sánchez e tem no presidente argentino, Javier Milei, um dos mais fiéis aliados na política externa.

No último ano, Trump e Sánchez se desentenderam sobre os gastos militares da Espanha e a recusa do premiê em permitir o acesso de forças americanas em suas bases durante o conflito com o Irã. Na Cúpula da Otan, realizada no início do mês em Ancara, Trump subiu o tom e voltou a ameaçar cortar relações com a Espanha.

“Não quero ter nada a ver com a Espanha. Cortem todo o comércio com a Espanha, por favor, incluindo visitas. Nem fale com eles. São pessoas ruins e sem esperança”, declarou numa coletiva.

Neste domingo, como anfitrião da Copa, Trump foi obrigado a encarar o rei Felipe VI, que veio com a família, o primeiro-ministro Sánchez e outros desafetos, como o premiê do Canadá, Mark Carney, e a presidente do México, Claudia Sheinbaum.

O parceiro Milei preferiu confiar na superstição e assistir à final de casa, em Buenos Aires — ritual que acabou sendo infrutífero para o placar.

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