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Haddad chama novo tarifaço de “represália ideológica” e critica apoio de Tarcísio a Trump

 

Pré-candidato afirma que medida contra o Brasil tem motivação política e alerta que São Paulo será o estado mais afetado.
247 – O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, classificou o novo tarifaço de Trump como uma “represália ideológica” contra o Brasil. Ele afirmou que a medida tem motivação política, alertou para os impactos sobre os produtores paulistas e criticou a aproximação do governador Tarcísio de Freitas com Flávio Bolsonaro e o presidente dos Estados Unidos.
As declarações foram feitas na noite desta quinta-feira (23), após o governo estadunidense anunciar uma tarifa adicional de 12,5% sobre mercadorias brasileiras. Haddad argumentou que a decisão não encontra justificativa na relação comercial entre os dois países, uma vez que o Brasil acumulou déficit nas trocas com os Estados Unidos.
“Isso é uma iniciativa do governo Trump inaceitável. O Brasil é um país que reconhecidamente tem décift com os EUA. Foram 415 bilhões de dólares nos últimos 15 anos. Então é uma represália ideológica. O Brasil tem um relação de 200 anos com os EUA. É uma situação que está sendo criada por razões políticas inaceitáveis promovidas por uma força interna e que está conspirando contra o Brasil entendendo que isso irá os favorecer. Mas isso não vai acontecer porque as pessoas estão entendendo o que está acontecendo. As pessoas estão informadas que a questão do Pix, do etanol, da indústria de calçados, são questões estratégicas que têm décadas de exportação para os EUA”, declarou Haddad.
A nova cobrança entra em vigor nesta sexta-feira (24) e será somada à tarifa de 25% aplicada desde quarta-feira (22) a parte dos produtos brasileiros vendidos aos Estados Unidos. Com a sobreposição, determinadas mercadorias poderão enfrentar uma taxação total de 37,5% para entrar no mercado estadunidense.
A sobretaxa foi anunciada após a conclusão de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, o USTR. O procedimento foi baseado em alegações relacionadas ao combate ao trabalho forçado em cadeias produtivas internacionais.
Segundo o governo dos Estados Unidos, o Brasil importaria produtos originários de países que não adotam padrões considerados adequados de proteção aos trabalhadores. Washington alega que essas mercadorias chegariam ao mercado brasileiro com custos reduzidos em razão de supostas práticas de trabalho forçado, provocando uma concorrência desleal para empresas estadunidenses.
A tarifa de 25% que já estava em vigor decorre de outra investigação aberta especificamente contra o Brasil em julho do ano passado. O processo também foi conduzido pelo USTR, mas com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
Haddad aposta em reação do governo Lula
Haddad afirmou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva adotou as decisões corretas para responder à ofensiva comercial. Segundo ele, as leis Brasil Soberano e da Reciprocidade oferecem instrumentos para que o país enfrente a medida e trabalhe por sua reversão.
“Lula desde o ano passado tem tomado as decisões corretas desde o ano passado e, com as leis Brasil Soberano e da Reciprocidade, o país vai conseguir reverter essa medida que tem caráter mais ideológico do que econômico. Minha preocupação é com os produtores aqui de São Paulo. O Estado será o mais afetado pelo tarifaço”, afirmou.
A avaliação sobre os efeitos em São Paulo está relacionada ao peso do estado nas exportações brasileiras para o mercado estadunidense. Haddad mencionou o etanol e a indústria de calçados entre os setores estratégicos envolvidos na disputa. Também citou o Pix, sistema brasileiro de pagamentos instantâneos, como um dos temas incluídos nas divergências entre os dois países.
Na avaliação do pré-candidato, a iniciativa estadunidense também teria sido estimulada por forças políticas internas que atuam contra os interesses brasileiros por acreditarem que poderiam obter benefícios eleitorais. Haddad afirmou, no entanto, que a população está compreendendo as razões políticas por trás das novas barreiras comerciais.
Pré-candidato critica Tarcísio e Flávio
Ao relacionar o tarifaço à disputa política brasileira, Haddad criticou o apoio de Tarcísio de Freitas a Flávio Bolsonaro e sua aproximação com Trump. Para o ex-ministro, essa articulação precisa ser esclarecida no debate público, principalmente diante dos possíveis prejuízos à economia paulista.
“O governador do Estado de São Paulo apoiar o Flávio da maneira como está apoiando, apoiar o Trump da maneira como está apoiando, não é uma coisa que me pareça razoável. Então essa simbiose entre o Tarcísio e o Flávio precisa ser explicitada”, disse Haddad.
As declarações colocam a política comercial dos Estados Unidos no centro da disputa pelo governo paulista. Haddad procura associar os efeitos econômicos das tarifas à atuação de Tarcísio e Flávio, enquanto o governo Lula prepara sua resposta às novas restrições impostas às exportações brasileiras.

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