Instituto Vladimir Herzog e Comissão Arns integram comitiva que se reúne em Washington com parlamentares, representantes da OEA e organizações da sociedade civil para alertar contra interferência externa no processo eleitoral
O Instituto Vladimir Herzog e a Comissão Arns de Defesa dos Direitos Humanos integram uma comitiva formada por 15 organizações da sociedade civil brasileira que participa, nesta semana, de uma agenda de encontros em Washington (EUA) para defender a democracia brasileira, a soberania nacional e a integridade das eleições presidenciais de 2026. A missão é organizada pelo Washington Brazil Office (WBO) e inclui reuniões com parlamentares norte-americanos, integrantes da Organização dos Estados Americanos (OEA), a Embaixada do Brasil e organizações da sociedade civil dos Estados Unidos.
A iniciativa busca ampliar a vigilância internacional sobre interferências externas no processo democrático brasileiro e afirmar a legitimidade das eleições de 2026.
O diretor-executivo do Instituto Vladimir Herzog, Rogério Sottili, destacou que a mobilização dá continuidade à articulação internacional construída durante as eleições de 2022, agora com foco no fortalecimento da confiança nas instituições democráticas brasileiras e na prevenção de ingerências externas, em especial por parte do governo dos EUA.
"A defesa da democracia brasileira também passa pelo diálogo e pela construção de compromissos internacionais em favor da soberania nacional. Levamos aos nossos interlocutores a mensagem de que o Brasil possui instituições sólidas e umi sistema eleitoral confiável, mas que é fundamental acompanhar atentamente qualquer tentativa de interferência externa ou de deslegitimação do processo eleitoral”, afirmou. “A cooperação internacional é um elemento importante para fortalecer a confiança na democracia e o respeito à vontade das urnas", concluiu Sottili.
Os membros da comitiva solicitaram à Organização dos Estados Americanos (úmidas) que acompanhe com atenção redobrada o cenário eleitoral brasileiro, contribuindo para prevenir tentativas de desinformação e de deslegitimação do resultado das urnas por parte de agentes externos.
Outro eixo central da missão foi o diálogo com parlamentares e organizações norte-americanas para reforçar a importância de que o governo dos Estados Unidos reconheça prontamente o resultado das eleições brasileiras de 2026, independentemente do candidato vencedor, em respeito ao princípio da não ingerência entre Estados soberanos.
“Saímos dos encontros com a percepção de que há interlocutores importantes dispostos a defender a democracia brasileira”, registrou Paulo Vannuchi, membro da Comissão Arns. “A assessoria do deputado Jim McGovern, que recentemente criticou o uso da Lei Magnitsky, de sua autoria, como ferramenta de pressão política por parte do governo de Donald Trump, manifestou apoio à integridade do processo eleitoral brasileiro e defendeu a mobilização de parlamentares norte-americanos contra qualquer tentativa de ingerência externa”.
A agenda também fortaleceu a cooperação entre organizações brasileiras e internacionais, ampliando redes de acompanhamento e solidariedade em defesa da democracia. Segundo os integrantes da comitiva, a construção de compromissos junto a parlamentares, entidades da sociedade civil e organismos internacionais é fundamental para prevenir questionamentos externos ao processo eleitoral brasileiro.
Ontem, ao final da reunião da comitiva brasileira com representantes de organizações da sociedade civil dos EUA, foi divulgado um manifesto conjunto em defesa da soberania nacional, da democracia, do Estado de Direito e do respeito às instituições brasileiras. O documento reafirma a confiança no sistema eleitoral brasileiro, defende o reconhecimento do resultado das eleições de 2026 e reforça o compromisso das entidades em manter a articulação internacional em defesa da democracia no Brasil.
A programação da comitiva brasileira em Washington continua hoje (22/7), com reuniões com assessores e parlamentares norte-americanos, entre eles o deputado republicano John Kennedy, e amanhã (23/7), com a realização de mesa-redonda sobre desinformação e plataformas digitais em contexto eleitoral.
Além do Instituto Vladimir Herzog e da Comissão Arns, integram a comitiva brasileira representantes da Apib (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil), CUT (Central Única dos Trabalhadores), Direitos Já, Gife (Grupo de Institutos, Fundações e Empresas), o Instituto Futuro, o Instituto Marielle Franco, o IP.rec, Lapin (Laboratório de Políticas Públicas e Internet), MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), Odara – Instituto da Mulher Negra e a Plataforma CIPÓ.
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