O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) saiu em vantagem do último debate antes do segundo turno, realizado pela TV Globo nesta sexta-feira (23/10). Depois de um desempenho abaixo do esperado na Band, Lula conseguiu transformar ataques de Flávio Bolsonaro (PL) em munição contra o senador.
O momento mais desgastante para Flávio foi o caso Ana Clara, menina de 5 anos morta por um tiro de fuzil em Niterói, em 2021. Diante da mãe da criança, o senador voltou a defender o policial acusado, de quem foi advogado, afirmou que houve tiroteio, versão contestada pela acusação, e chamou a mãe pelo nome da filha, na mesma noite em que prometeu cuidar das mulheres. Antes, já havia dito que Lula “tira com nove dedos”, fala vista como capacitista.
Lula também devolveu acusações. Chamado de pai do tigrinho, disse que o pai das bets é Jair Bolsonaro, cujo governo não regulamentou o setor, e que Flávio é o irmão, em referência à suspeita de que o senador teria sido sócio oculto de uma casa de apostas, o que ele nega. O presidente citou ainda a denúncia de Richarlison sobre a perda de uma ilha em Angra dos Reis, e Flávio disse não ter relação com o caso. Na segurança, Lula acusou o adversário de querer entregar o país a Donald Trump ao defender a classificação de facções como terroristas.
Flávio deixou sem resposta a pergunta sobre ter chamado o Bolsa Família de bolsa-farelo e fez afirmações sem contexto sobre o Comando Vermelho, a falta de dipirona e as Santas Casas.
O senador, porém, manteve o foco em segurança, endividamento e custo de vida, temas de insatisfação com o governo, e acertou ao dizer que o governo Bolsonaro reduziu de 14 mil para 8 mil as obras inacabadas, segundo checagem do g1. Já a crítica à Caixa perdeu força porque o banco é comandado por um indicado de Arthur Lira, do PP, partido que anunciou apoio incondicional a Flávio. Se o debate vai pesar nas urnas, a resposta vem no domingo (25).

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